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“Queremos ser uma potência energética”, diz Delcy sobre acordo de petróleo com os EUA

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Por Aline Menezes

Por Aline Menezes

30/08/2026 às 11:56

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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou neste sábado (29) que o acordo petrolífero firmado com os Estados Unidos terá duração de 25 anos e prevê uma produção superior a 1,5 milhão de barris de petróleo por dia.

Em mensagem transmitida pela televisão estatal Venezolana de Televisión (VTV), Rodríguez afirmou que o entendimento faz parte de um projeto mais amplo para ampliar a participação de empresas estrangeiras no setor energético venezuelano.

“Nosso objetivo vai ainda mais longe com a assinatura de outros importantes acordos que incluem grandes empresas como Chevron, Repsol Eni, Shell, BP, entre outras. Queremos ser uma potência energética”, declarou.

Segundo a presidente interina, considerando um preço de US$ 65 por barril, a Venezuela poderá receber US$ 209,335 bilhões em decorrência do acordo.

“Em termos concretos, isso significa que para cada barril produzido e vendido, cerca de 19 dólares vão diretamente para o nosso país”, disse Rodríguez.

Acordo prevê 17 campos estratégicos

O projeto prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos estratégicos e oito blocos verdes na Faixa Petrolífera do Orinoco, região que ocupa mais de 55 mil quilômetros quadrados no leste e centro-leste da Venezuela.

De acordo com Rodríguez, os campos têm potencial comprovado de 65 bilhões de barris de petróleo. O acordo também estabelece royalties mínimos de 16% e imposto de renda de 34%.

A presidente interina afirmou que as condições permitirão impulsionar a recuperação econômica venezuelana.

“Nosso objetivo é avançar em direção à consolidação de uma potência energética produtora, colocando nossas imensas reservas ao serviço do desenvolvimento nacional, da geração de empregos, do aumento da renda dos nossos trabalhadores e do bem-estar do nosso povo”, afirmou.

Ela também destacou que a Venezuela continuará sendo proprietária de seus recursos naturais.

“Mas uma coisa precisa ficar absolutamente clara: a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos”, enfatizou Rodríguez.

Segundo ela, o acordo foi estruturado de forma que cada lado contribua com suas capacidades. Os Estados Unidos contribuirão com capital, tecnologia e capacidade operacional para ajudar na recuperação do setor petrolífero, afetado pelas sanções.

Rodríguez também afirmou que os venezuelanos devem ter acesso às informações sobre o funcionamento do projeto.

“Têm o direito de saber quanto é investido, quanto é produzido, quanto o Estado recebe e quais são as condições para os operadores”, disse.

Divergências sobre duração da exploração

Embora Rodríguez tenha informado que o acordo petrolífero terá validade de 25 anos, um funcionário americano afirmou à CBS, neste sábado, que o entendimento envolveria uma licença de exploração de 100 anos para uma joint venture privada.

Segundo a autoridade americana, o governo dos Estados Unidos controlaria 55% da joint venture, considerando a participação acionária no projeto e o direito de adquirir petróleo pelo preço de custo.

A fonte também descreveu a empresa conjunta como a segunda maior proprietária corporativa de reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas não informou quais empresas fariam parte da estrutura.

Na sexta-feira (28), Estados Unidos e Venezuela anunciaram o acordo, que prevê uma ampliação da presença americana na indústria petrolífera venezuelana e o controle de mais de 20% das reservas de petróleo bruto do país pelos Estados Unidos.

VEJA TAMBÉM:

Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle sobre 65 bilhões de barris de petróleo na Venezuela

EUA negociam controle sobre mais de 12 campos de petróleo da Venezuela

Investimentos e recuperação da indústria

Em declaração divulgada pelas redes sociais, Rodríguez classificou o entendimento com Washington como “histórico” e afirmou que os investimentos deverão contribuir para a recuperação e modernização da indústria venezuelana.

“A Venezuela anuncia um histórico acordo com o Governo dos Estados Unidos, que terá um impacto significativo no renascimento da nossa nação. Esta iniciativa é produto do fortalecimento da relação entre a Venezuela e os Estados Unidos, e facilitará um importante fluxo de investimentos destinado à recuperação e reconstrução de infraestrutura estratégica para o desenvolvimento da nossa indústria de hidrocarbonetos”, disse.

De acordo com a presidente interina, o acordo prevê mais de US$ 100 bilhões em investimentos e mais de US$ 209 bilhões em tributos para o Estado.

Rodríguez agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pelos esforços para a conclusão do acordo.

Rubio classificou o entendimento como “uma grande vitória tanto para o povo americano quanto para o venezuelano”.

Trump, por sua vez, classificou o acordo como “o maior acordo de petróleo da história mundial” e afirmou que os Estados Unidos obtiveram o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, “sem custo para o contribuinte americano”.

Segundo o presidente, a operação mais do que dobra as reservas de petróleo dos Estados Unidos e amplia significativamente a oferta disponível no país. Trump também declarou que o aumento da oferta deverá contribuir para a redução dos preços da gasolina para os consumidores americanos no longo prazo.

O republicano afirmou ainda que o acordo deve estreitar a relação entre Washington e Caracas e contribuir para a recuperação econômica da Venezuela.

Venezuela discute permanência na Opep

As negociações com Washington ocorrem enquanto Caracas também avalia sua permanência na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), da qual a Venezuela é membro fundador desde 1960.

O acordo com os Estados Unidos não abrange toda a reserva venezuelana, estimada em cerca de 300 bilhões de barris. As tratativas envolvem mais de uma dezena de campos, incluindo áreas que já produzem petróleo, e contemplam contratos de longo prazo para exploração.

As negociações ganharam espaço depois que Washington flexibilizou parte das sanções impostas à Venezuela, permitindo a retomada de atividades de empresas e prestadores de serviços americanos relacionados à indústria petrolífera.

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Fonte: Gazeta Mundo

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