Introdução ao modelo de segurança
Uma onda de direita está redesenhando o mapa político da América Latina, impulsionada por uma demanda crescente dos países por políticas robustas de segurança. Diante desse cenário, o modelo de tolerância zero de El Salvador para o crime surge como um exemplo a ser seguido.
Diferenças entre El Salvador e Equador
Um dos países que tem se apoiado nessa visão é o Equador. Eleito em 2023 com a promessa de sufocar o narcotráfico por meio de mais investimentos em segurança, o presidente Daniel Noboa ainda não conseguiu replicar o método de Nayib Bukele, apesar de se inspirar na política linha-dura do líder salvadorenho, que conseguiu derrubar drasticamente os índices de criminalidade em El Salvador em pouco tempo por meio de seu regime de exceção.
Ao contrário de El Salvador, que combateu gangues urbanas de controle local, como a MS-13 e o Barrio 18, o Equador se tornou nos últimos anos um refúgio para os maiores cartéis do mundo, como o de Sinaloa (México), que passaram a usar o território para o escoamento de drogas rumo à Europa e aos EUA, operando com um poder financeiro muito superior ao das facções salvadorenhas.
Medidas adotadas pelo Equador
O Equador está imerso em uma profunda crise de segurança pública que se agravou em 2021 com uma série de confrontos no sistema prisional entre gangues rivais como Los Choneros, Los Lobos e Los Lagartos. A situação deixou mais de 600 detentos mortos nos últimos cinco anos.
A grande maioria das prisões foi militarizada no país desde janeiro de 2024, quando o presidente Daniel Noboa declarou um “conflito armado interno” para combater a violência generalizada, que deu ao Equador o título de país com a maior taxa de homicídios da América Latina.
Desafios para o Equador
As diferenças territoriais também afetam os resultados de cada país. El Salvador é aproximadamente 13 vezes menor que o Equador, o que prejudica a gestão política das regiões tomadas pelo crime. Quito também possui áreas de difícil acesso e fronteiras vulneráveis, o que facilita a ação dos cartéis e grupos locais aliados.
Além disso, o Equador enfrenta um déficit fiscal crônico e alto endividamento. O país está na lista dos mais endividados com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Até outubro do ano passado, a dívida estava estimada em US$ 8,85 bilhões (equivalente a 6,8% do PIB).
Fonte: Gazeta Mundo
Fonte: Gazeta Mundo


