Operação Canudo
A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta quarta-feira (12), quatro mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e um de prisão temporária em uma investigação contra a venda de diplomas e documentos falsos de cursos de medicina.
As buscas ocorreram em Montes Claros (MG), Bocaiuva (MG), Barreiras (BA) e Luís Eduardo Magalhães (BA).
Investigação
As apurações começaram em 2023, após a apreensão de um desses diplomas, apresentado ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers). A investigação identificou ao menos 45 médicos inscritos em conselhos regionais de diversos estados que teriam pago ao grupo investigado para obter documentos falsos usados para viabilizar o registro profissional.
Havia, ainda, uma manobra para cursar apenas o final da graduação. O grupo investigado produziria históricos escolares falsos, com os quais era possível viabilizar a transferência.
Esquema de fraude
A fraude funcionaria de duas maneiras. Em uma delas, diplomas falsificados eram apresentados diretamente aos conselhos profissionais para obtenção do registro. Na outra, históricos escolares e documentos acadêmicos adulterados permitiam que interessados ingressassem ou fossem transferidos para faculdades de medicina com o curso já em andamento, inclusive nos períodos finais da graduação.
Contexto
A movimentação ocorre em meio ao debate sobre a formação médica no Brasil. Em abril de 2025, o Ministério da Educação lançou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A primeira prova culminou em um resultado negativo para 107 dos 351 cursos, mais de 30%, que receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios.
O resultado levou o governo a anunciar medidas como suspensão de novos ingressos, redução de vagas e restrições a programas federais para os cursos com pior desempenho. A aplicação das sanções, porém, está em disputa judicial.
Fonte: Gazeta Brasil


