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Por Guilherme Grandi
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Por Juliet Manfrin
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20/08/2026 às 08:42
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Atualizado em20/08/2026 às 09:00
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A Polícia Federal adiou o depoimento do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, que estava marcado para esta quinta-feira (20) a pedido da defesa. O empresário seria questionado sobre a suspeita de que teria aliciado e corrompido servidores do Banco Central para o orientarem e repassarem informações sigilosas em relação ao seu conglomerado financeiro.
A Gazeta do Povo apurou com fontes a par da investigação que o pedido de adiamento ocorreu pela nova defesa ainda não ter tido acesso a todo o material da investigação para análise antes do depoimento, e que precisa se preparar melhor. Vorcaro passou a ser defendido também pelo advogado Daniel Bialski desde o começo do mês.
Além de Vorcaro, esse braço da investigação também depende do depoimento de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central. Ele foi um dos alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero sob suspeita de repassar informações sigilosas e prestar consultoria informal ao ex-banqueiro.
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As investigações apontam que Daniel Vorcaro aliciou servidores do Banco Central por meio de pagamentos de propina, uso de empresas intermediárias e oferta de benefícios indiretos. Em troca, os servidores atuavam como informantes repassando dados sigilosos e orientações técnicas para tentar evitar a liquidação do Banco Master.
Além de Belline Santana, Vorcaro contava com a colaboração de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor e chefe-adjunto na área, para monitorar fiscalizações. Eles se comunicavam através de um aplicativo de mensagens.
Entre as propinas pagas estavam repasses milionários através de empresas de fachada e intermediárias, transações simuladas de compra de imóveis e custeio de viagens internacionais, como passeios para os parques da Disney.
A Polícia Federal aponta que os servidores faziam uma espécie de consultoria paralela de dentro para fora, orientando Vorcaro tecnicamente em minutas de ofícios enviados ao próprio Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para blindar os negócios do banqueiro.
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Nova tentativa de delação
No começo deste mês, a defesa de Vorcaro passou a ser exercida também pelo advogado Daniel Bialski junto de Sérgio Leonardo, que já trabalhava com o ex-banqueiro desde o início das apurações da Polícia Federal, no ano passado. Na ocasião, no mês de novembro, o empresário foi preso pela primeira vez no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentava viajar aos Emirados Árabes Unidos para, supostamente, negociar a venda de parte do Banco Master a investidores árabes.
Bialski afirmou que pretende negociar uma terceira tentativa de delação premiada, após as duas primeiras terem sido rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por não aprofundarem as informações que já haviam sido apuradas pela investigação. A intenção não é apenas ajustar o que já foi negado, mas recomeçar do zero, permitindo que Vorcaro fale por várias horas diárias para detalhar todo o funcionamento do esquema no Banco Master.
Isso, no entanto, pode ser mais difícil por conta da quebra de confiança pela omissão de informações nas tentativas anteriores. Na PGR, a percepção interna é de que as chances de negociação com Vorcaro já se esgotaram. Até o ministro André Mendonça, relator da ação do Master no Supremo Tribunal Federaç (STF), já sinalizou que não faz questão de uma delação.
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Fonte: Gazeta Economia


