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Por Gazeta do Povo Lab
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Por Ana Paula Pickler
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13/08/2026 às 19:53
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Uma análise detalhada de inscrições cuneiformes na antiga cidade bíblica de Assur, no atual Iraque, revelou a existência de três governantes desconhecidos da Assíria. O estudo, conduzido por pesquisadores das universidades de Münster e Yale, mostra que esses reis foram omitidos dos registros oficiais por terem reinado durante períodos curtos e marcados por grande instabilidade política.
Quem são os governantes recém-descobertos e por que eles sumiram da história?
Os reis identificados são um novo Tiglate-Pileser (763-762 a.C.), um novo Salmanasar (747-745 a.C.) e Aššur-uballiṭ (913-912 a.C.). Eles ficaram de fora da Lista de Reis Assírios, o documento oficial usado por décadas para reconstruir a sucessão do império. Segundo os especialistas, essa lista não era um registro neutro, mas um cânone de legitimidade que apagava períodos de caos. Como esses três homens governaram por pouco tempo e acabaram depostos ou derrotados em rebeliões, seus nomes foram deliberadamente retirados para manter uma imagem de estabilidade na linhagem real.
Como um eclipse solar ajudou a confirmar a existência de um desses reis?
O caso mais documentado envolve o novo Tiglate-Pileser. A pista surgiu em uma tabuleta de concessão de terras datada de 762 a.C., época em que o rei conhecido com esse nome ainda não havia subido ao trono. A confirmação veio ao cruzar dados com a Crônica dos Epônimos Assírios, que registrou revoltas em Assur justamente entre 763 e 762 a.C. Naquele período, ocorreu um eclipse solar, fenômeno visto na época como um presságio terrível para a queda de um governante. Esse evento astronômico criou o cenário perfeito para a revolta que levou o novo rei ao poder por apenas 20 meses.
Quais evidências provam que os outros dois governantes também existiram?
Para o novo Salmanasar, os pesquisadores analisaram uma estela em Tell Abta que teve o nome original raspado e substituído pelo de Tiglate-Pileser III, indicando uma tentativa de apagar sua memória. Já no caso de Aššur-uballiṭ, que viveu dois séculos antes, a pista veio de uma inscrição em um recipiente ritual de prata. O texto menciona que ele fez doações valiosas ao deus Aššur, mas evita chamá-lo explicitamente de rei. Essas pequenas falhas no processo de 'apagamento' histórico permitiram que os cientistas modernos notassem as lacunas e reconstruíssem a verdadeira linha sucessória.
O que essa descoberta muda na nossa visão sobre o antigo Império Assírio?
A descoberta quebra a ideia de que a Assíria era uma potência com sucessões lineares e tranquilas de pai para filho. O cenário real era muito mais conturbado, com disputas violentas pelo trono, epidemias e crises sociais profundas. Essa instabilidade precedeu a era de ouro da expansão assíria, sugerindo que as crises internas foram, na verdade, parte do processo de reorganização política que transformou o império em uma superpotência. Para a arqueologia bíblica, os achados humanizam figuras citadas no Antigo Testamento e mostram que a história oficial era uma narrativa fabricada.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Fonte: Gazeta Mundo


