PolíticaO dia em que o Brasil mudou o sistema de votação… a...

O dia em que o Brasil mudou o sistema de votação… a um mês da eleição presidencial

Pesquisa Eleitoral

Eleições em São Paulo

Eleições no Paraná

Por Gazeta do Povo

Por Gazeta do Povo

30/08/2026 às 10:22

30/08/2026 às 10:22

Dê de presente

Prefira a Gazeta no Google

Ouça este conteúdo

Imagine chegar para votar para presidente e receber na rua a cédula impressa pelo próprio partido ou candidato. Durante décadas, isso fez parte das eleições brasileiras.

A cédula oficial fornecida pela Justiça Eleitoral na seção de votação, hoje uma obviedade quando se pensa no período anterior à urna eletrônica, ainda não existia no formato que seria adotado para a disputa presidencial de 1955.

A mudança ocorreu há exatamente 71 anos, em 30 de agosto de 1955, quando a Lei 2.582 instituiu a cédula única de votação para presidente e vice-presidente da República.

Havia um detalhe que tornava a experiência ainda mais ousada: faltavam apenas 34 dias para a eleição que levaria Juscelino Kubitschek à Presidência.

VEJA TAMBÉM:

O dia em que Portugal “assinou o divórcio” com o Brasil

TRF1 aponta uso eleitoral de papagaio e autoriza Ibama a apreender animal

Antes, cada candidato podia distribuir sua própria cédula

O sistema anterior era muito diferente daquele que as gerações mais recentes conheceriam.

Nas eleições anteriores a 1955, as cédulas eram impressas e distribuídas pelos próprios candidatos e partidos. O eleitor podia chegar à seção eleitoral já carregando o papel com o nome de sua escolha. Isso causava problemas que iam além da aparência das cédulas.

Partidos e candidatos precisavam organizar a impressão e distribuição dos votos, enquanto diferenças no papel podiam comprometer uma das bases da eleição: o sigilo. Se fosse possível identificar externamente determinada cédula, também se tornava possível descobrir em quem alguém havia votado.

Foi nesse contexto que o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edgard Costa, passou a defender uma cédula oficial. A proposta previa inclusive que o próprio papel, depois de dobrado, funcionasse como uma espécie de envelope, dificultando a identificação do voto.

A eleição já estava marcada para 3 de outubro

O calendário acrescentava pressão à mudança. A eleição para presidente e vice estava marcada para 3 de outubro de 1955, e a lei da cédula única foi sancionada pelo presidente Café Filho somente em 30 de agosto. No dia seguinte, o TSE já expediu instruções para a realização da eleição.

A mudança não alcançou de imediato todas as disputas daquele ano. Além de presidente e vice, haveria eleições para outros cargos em diversos estados e municípios. Não haveria tempo hábil para produzir cédulas oficiais para todos esses pleitos.

Por isso, a novidade ficou restrita naquele momento à disputa pela Presidência e Vice-Presidência. A cédula oficial para todas as eleições só seria criada por outra lei, em 1962.

A primeira cédula única ainda tinha uma brecha curiosa

A reforma de 1955 também não rompeu instantaneamente com todas as práticas anteriores. A nova lei determinava que a Justiça Eleitoral imprimisse as cédulas oficiais e organizasse sua distribuição aos tribunais regionais, juízos e mesas eleitorais.

Mas havia uma peculiaridade: naquele primeiro ano, os partidos ainda podiam imprimir e distribuir cédulas, desde que obedecessem ao modelo oficial. Assim, o eleitor de 1955 podia encontrar a nova cédula na própria seção eleitoral, mas também recebê-la de candidatos e cabos eleitorais nas ruas.

Era uma transição entre dois sistemas: a eleição deixava de depender exclusivamente do papel produzido pelas campanhas, mas a Justiça Eleitoral ainda não detinha o monopólio que teria posteriormente sobre a confecção e distribuição das cédulas.

JK estreou o novo sistema

Trinta e quatro dias depois da sanção da lei, os brasileiros foram às urnas.

A eleição tinha quatro candidatos à Presidência: Juscelino Kubitschek, Juarez Távora, Adhemar de Barros e Plínio Salgado. Na época, presidente e vice eram escolhidos separadamente, permitindo inclusive que os vencedores viessem de partidos diferentes.

JK tornou-se o primeiro presidente eleito com a cédula única. Recebeu 35,68% dos votos, enquanto João Goulart venceu a disputa para vice com 44,25%. Não havia segundo turno. Bastava obter mais votos que os adversários.

A eleição ainda desembocaria em uma das crises políticas mais graves daquele período, com tentativas de impedir a posse dos eleitos e o movimento liderado pelo marechal Henrique Teixeira Lott em novembro de 1955 para assegurar a sucessão constitucional.

A cédula única instituída em agosto de 1955, porém, sobreviveria àquela eleição. Em 1962, a cédula oficial seria estendida às demais disputas e continuaria evoluindo nas décadas seguintes, até o Brasil começar a substituir o voto em papel pela urna eletrônica em 1996.

Deixe sua opinião

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Propostas para frear STF se multiplicam no Congresso, mas travam sob Alcolumbre

Escolas cívico-militares de SP vetam porte de arma e tiram regras de cabelo e barba

Qual a vantagem de Tarcísio sobre Haddad nas pesquisas para o governo de São Paulo

Lula tenta minimizar desgaste após fotos com lobista ligada a Lulinha

Tudo sobre:

Eleições 2026

História

História do Brasil

TSE

TSE – Tribunal Superior Eleitoral

urna eletrônica

Vale a leitura

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Fonte: Gazeta Política

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
chuva fraca
25 ° C
25 °
25 °
73%
1m/s
0%
sex
25 °
sáb
33 °
dom
30 °
seg
31 °
ter
22 °