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Navio britânico é encontrado 118 anos após colisão e naufrágio no Canal da Mancha

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Por Ana Paula Pickler

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Especial para a Gazeta do Povo

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23/08/2026 às 21:24

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Um navio britânico desaparecido por 118 anos foi localizado novamente no fundo do Canal da Mancha. Os destroços do HMS Tiger, contratorpedeiro da Marinha Real, foram encontrados por mergulhadores e historiadores do ProjectXplore, que passaram cinco anos cruzando registros de arquivo até chegar à área do naufrágio. A descoberta foi anunciada em 10 de agosto, perto da Ilha de Wight.

O HMS Tiger afundou em 1908 durante um exercício militar noturno que terminou em uma colisão com o cruzador HMS Berwick. O impacto partiu o navio menor ao meio. Dos 57 tripulantes a bordo, menos da metade sobreviveu.

Agora, além de revelar o paradeiro de uma embarcação perdida por mais de um século, o achado ocorre em meio a uma mudança na legislação britânica que pretende ampliar a proteção de naufrágios militares.

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Como o navio britânico desapareceu no mar?

O naufrágio ocorreu durante uma operação de treinamento da frota britânica, em uma área próxima à Ilha de Wight. O HMS Tiger participava de manobras noturnas quando entrou na trajetória do HMS Berwick, um cruzador de cerca de 10 mil toneladas. O Tiger tinha aproximadamente 400 toneladas.

A proximidade deixou pouco tempo para reação. O Berwick atingiu o Tiger no centro, cortando o contratorpedeiro em duas partes. Segundo a Marinha Real, a proa afundou imediatamente, levando consigo o comandante e vários tripulantes. A popa permaneceu na superfície por cerca de três minutos antes de desaparecer.

A tragédia ganhou grande repercussão na imprensa britânica e foi motivo de uma mensagem de condolências do rei Edward VII. Apesar da repercussão, a localização exata dos destroços permaneceu um mistério por 118 anos. A Marinha Real e pesquisadores fizeram buscas ao longo das décadas, sem conseguir determinar onde o Tiger havia terminado sua última viagem.

Cinco anos de pesquisa para encontrar o navio britânico HMS Tiger

A resposta veio do ProjectXplore, grupo formado por mergulhadores e historiadores especializados em naufrágios. Durante cinco anos, os pesquisadores analisaram documentos e reuniram dados históricos relacionados ao acidente para delimitar a região onde o HMS Tiger poderia estar.

Em 2025, o grupo também havia localizado os destroços do HMS Nottingham, cruzador da Marinha Real encontrado no Mar do Norte.

Leo Fielding e Dan McMullen, coorganizadores do ProjectXplore, afirmaram, em comunicado, que descobrir e documentar o Tiger "foi um trabalho de grande significado". Segundo eles, a expectativa é que a pesquisa "ajude a manter viva a história do navio e a memória das pessoas ligadas à tragédia".

Os pesquisadores também receberam positivamente a proposta de ampliar a proteção dos naufrágios militares. Para o ProjectXplore, as mudanças representam “um passo construtivo” para preservar o patrimônio marítimo do Reino Unido e garantir proteção adequada a locais de importância histórica e arqueológica.

O que muda na proteção dos naufrágios?

A descoberta ocorre enquanto o Parlamento britânico analisa o Armed Forces Bill, projeto que prevê novas regras para a preservação de embarcações militares naufragadas. Pela proposta, locais como o HMS Tiger poderão receber automaticamente a classificação de “local protegido” a partir do momento em que forem descobertos.

Na prática, perturbar os destroços ou retirar objetos sem autorização poderá se tornar crime. A medida não pretende impedir a visita de mergulhadores. Eles ainda poderão acessar os locais, desde que respeitem o princípio de observar sem tocar ou remover partes das embarcações.

A mudança também amplia o alcance temporal da legislação. Atualmente, a proteção prevista pelo Protection of Military Remains Act (lei britânica que protege destroços de embarcações militares e os restos de suas tripulações) tem uma limitação relacionada a embarcações perdidas nos últimos 200 anos. A proposta elimina esse limite, abrindo espaço para proteger navios militares muito mais antigos, inclusive embarcações associadas à época da Armada.

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Fonte: Gazeta Mundo

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