Nova estratégia do narcotráfico
A pressão militar exercida pelos Estados Unidos contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico foi acompanhada por uma reorganização das operações dos cartéis para continuar levando drogas ao país.
Um relatório da agência americana antidrogas mostrou que traficantes passaram a privilegiar novas rotas e meios de transporte, cenário que pode indicar a necessidade de expandir a estratégia americana.
Operação Lança do Sul
Em meados de agosto de 2025, o governo Trump iniciou uma ampla mobilização militar contra o tráfico de drogas no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, batizada de Lança do Sul.
No mês seguinte, embarcações que, segundo o governo americano, eram ligadas a cartéis começaram a ser bombardeadas na região.
Em um ano, foram realizados mais de 60 ataques, que resultaram em pelo menos 221 suspeitos mortos.
Adaptação dos cartéis
Porém, um ano depois, os primeiros indícios da adaptação dos cartéis começaram a surgir.
Embora Trump afirme que 98,2% da entrada de drogas nos EUA por via marítima tenha sido interrompida, um relatório da Agência de Combate às Drogas americana (DEA) apontou que os narcotraficantes estão diversificando seus métodos.
Em vez de usarem lanchas rápidas, os criminosos aumentaram o escoamento da droga por meio de portos, escondendo grandes quantidades em navios de grande porte.
Novas estratégias
Outras estratégias incluem evitar águas internacionais, navegando mais perto da costa – o que inibe os ataques da operação americana –, e recorrer mais a aeronaves, que decolam de pistas clandestinas na região da fronteira entre a Colômbia e a Venezuela.
O relatório da DEA também mencionou que traficantes estão pagando propinas a autoridades colombianas para que revelem a localização de navios americanos, para que as embarcações com drogas sejam lançadas ao mar apenas quando as forças dos EUA deixam a região.
Análise da DEA
Um indicativo de que as drogas continuam chegando aos Estados Unidos em níveis parecidos aos registrados antes do início da operação é que autoridades do Pentágono informaram recentemente a senadores que uma análise da DEA em lotes de cocaína apreendidos detectou altos níveis de pureza: ou seja, os traficantes não precisam diluir a droga para fazer seus estoques renderem.
Preços da cocaína
Em artigo publicado em julho, Adam Isacson e John Walsh, pesquisadores da ONG Escritório de Washington sobre a América Latina (Wola), citaram uma reportagem do The New York Times que apontou que os preços da cocaína nas ruas permanecem entre US$ 60 e US$ 100 por grama em muitas cidades dos EUA, praticamente no mesmo patamar de antes do início dos bombardeios a embarcações no Caribe e no Pacífico.
Cooperação internacional
Ricardo Caichiolo, professor de relações internacionais e diretor do Ibmec Brasília, disse à Gazeta do Povo que o governo Trump precisará mudar sua estratégia no enfrentamento ao narcotráfico no continente.
“A tendência é que os Estados Unidos ampliem a atuação, que até então era puramente naval, para uma estratégia voltada ao desmantelamento das redes terrestres e aéreas e à contenção da produção diretamente nos países de origem”, projetou.
Fonte: Gazeta Mundo


