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Morte cerebral: conceito é questionado por médica que defende que definição foi criada para facilitar transplantes

O questionamento da morte cerebral

A médica Heidi Klessig lançou o livro “The Brain Death Fallacy”, onde desafia a validade da morte cerebral. Ela argumenta que o conceito foi criado para facilitar transplantes de órgãos e relata casos de pacientes que se recuperaram após o diagnóstico, reacendendo um debate ético e médico.

Críticas ao diagnóstico de morte cerebral

A crítica central é que o conceito de morte cerebral não seria uma descoberta puramente científica, mas uma conveniência prática. Para críticos como Heidi Klessig, a definição foi consolidada para permitir que médicos retirem órgãos de pacientes cujos corações ainda batem com ajuda de aparelhos, garantindo que os órgãos cheguem em boas condições aos receptores de transplantes.

Origem da definição de morte cerebral

Tudo começou em 1959, com neurologistas franceses que descreveram o ‘coma ultrapassado’, um estado onde o cérebro não funciona mais. Em 1968, a Universidade de Harvard criou critérios formais para aceitar o coma irreversível como morte. Nos EUA, isso virou lei em 1981, determinando que alguém está morto se houver o fim irreversível das funções circulatórias ou de todas as funções cerebrais.

Casos de sobrevivência

Heidi Klessig afirma que sim. Em seu site, ela cita casos de pessoas diagnosticadas com morte cerebral que apresentaram melhora. Um exemplo mencionado é o da adolescente Jahi McMath, que foi declarada morta na Califórnia, mas sobreviveu em estado vegetativo por mais cinco anos após a família conseguir sua transferência para outro hospital, morrendo definitivamente apenas em 2018.

Posição do Vaticano

Há divisões internas, mas a posição predominante vem da Pontifícia Academia de Ciências, que afirma que a morte cerebral não é apenas um sinal, mas é a própria morte do indivíduo. Por outro lado, publicações ligadas à Santa Sé já deram espaço para visões contrárias, sugerindo que a pessoa só deveria ser considerada morta quando todas as funções biológicas param totalmente.

Legislação brasileira

No Brasil, as regras são rigorosas e definidas pelo Conselho Federal de Medicina. Desde 2017, para declarar a morte encefálica, são obrigatórios exames clínicos realizados por dois médicos diferentes e testes laboratoriais específicos. Somente profissionais com treinamento especial podem fazer esse diagnóstico, garantindo segurança ao processo de doação de órgãos.

Fonte: Gazeta Mundo

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