Sílvio Ribas
Por Sílvio Ribas
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Brasília
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18/08/2026 às 21:15
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Enquanto os homens dominam a corrida presidencial, as principais disputas eleitorais no Distrito Federal têm a marca feminina. Celina Leão (PP) tenta seguir no posto de governadora, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis, ambas do PL, em sua chapa para o Senado.
O grupo de mulheres de direita é reforçado pela senadora Damares Alves (Republicanos), empenhada nas eleições das amigas Celina, Michelle e Bia. As políticas de direita estiveram juntas na campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) em 2022 e há tempos se preparam para a campanha atual.
A hegemonia feminina no Distrito Federal, porém, não se limita à chapa do governo local e alcança também nomes de sua oposição que buscam cargos majoritários. A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) disputa o Palácio do Buriti e a competitiva senadora Leila Barros (PSB), um novo mandato.
A configuração transforma Brasília em laboratório particular das eleições de 2026. Mais do que cumprir as cotas partidárias, as candidaturas femininas têm densidade eleitoral própria, experiência política e bases consistentes, indicando chance de votações expressivas para governo e para o Senado.
Michelle torna projeção nacional um ativo eleitoral da chapa conservadora
Michelle chega à primeira eleição com identidade política construída a partir da projeção como primeira-dama e líder partidária. À frente do PL Mulher, visitou todos os estados, promoveu recorde de filiações e estimulou candidaturas femininas, se firmando com uma das maiores vozes da direita.
A candidatura ao Senado testa sua capacidade de converter popularidade e exposição nacional em votos. Após superar publicamente o atrito com o enteado Flávio Bolsonaro (PL), Michelle aderiu à campanha do senador à Presidência e assumiu papel estratégico central na busca de unidade e engajamento.
O partido espera ainda que seu poder de atração produza voto casado em Bia Kicis. Presidente do PL no DF, a deputada consolidou uma identidade combativa no Congresso e forte presença digital, falando diretamente a um eleitorado que deu a Jair Bolsonaro expressivas votações na capital federal.
Damares completa esse núcleo político formado por mulheres, mesmo sem estar nas urnas neste ano. Eleita senadora em 2022, segue no cargo até 2031, atuando como apoiadora e conselheira do grupo. Embora já tenha elogiado a colega Leila, esclareceu que suas candidatas são Michelle e Bia.
Paula Belmonte e Leila tentam impedir que direita monopolize voto feminino
A presença de Paula Belmonte na disputa pelo governo distrital impede que Celina reivindique sozinha o protagonismo feminino. No primeiro debate, a deputada distrital confrontou diretamente a governadora sobre políticas para mulheres, indicando querer brigar pela representação dessa agenda.
No Senado, Leila oferece outro contraponto. Ex-atleta de projeção nacional, senadora desde 2019 e identificada com o campo governista no Congresso, ela terá de encarar eleição polarizada. Seus adversários vão explorar a sua ligação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar desgastá-la.
Acusações envolvendo a destinação de emendas da senadora a entidades devem aparecer na campanha. Registros oficiais confirmam repasses a diferentes políticas públicas, porém eles ainda não permitem caracterizar beneficiários como ONGs de fachada nem atribuir irregularidade a Leila.
Com mulheres disputando votos à direita, ao centro e à esquerda, pautas como feminicídio, saúde da mulher e independência econômica tendem a ganhar espaço. A eleição no Distrito Federal poderá servir de laboratório do avanço feminino no terreno político, tornando-se um fator determinante.
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Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.
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Fonte: Gazeta Política


