Miguel Lopes, de 6 anos, recebeu alta após concluir uma etapa de imunoterapia para tratar uma recaída de leucemia linfoblástica aguda. Ele foi o primeiro paciente pediátrico do Iamspe (Hospital do Servidor Público Estadual) a usar o blinatumomabe, um medicamento que também está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde).
Tratamento e recidiva
No entanto, Miguel não teria acesso ao fármaco pela rede pública, pois não se encaixa nos critérios do Ministério da Saúde. O blinatumomabe é indicado para crianças e adolescentes com leucemia linfoblástica aguda de células B em primeira recidiva medular de alto risco.
Imunoterapia
A imunoterapia foi utilizada para atuar sobre células residuais da leucemia de forma mais específica do que a quimioterapia. O medicamento funciona como uma ponte entre os linfócitos T, células de defesa do organismo, e as células da leucemia, direcionando o sistema imunológico para combater o câncer.
Benefícios do tratamento
O tratamento com blinatumomabe aumenta a resposta ao tratamento e amplia as chances de a criança chegar ao transplante em condição mais segura ou nem precisar do transplante. Além disso, o medicamento reduz a chance de morte por sepse, de precisar de transfusões de sangue e de internação em UTI.
Após a alta, Miguel continua em acompanhamento ambulatorial e ainda passará por sessões de radioterapia. A chance de cura, mesmo após a recaída, gira em torno de 80%.
Reivindicação ao SUS
A principal reivindicação ao SUS é que a imunoterapia com blinatumomabe seja incorporada já no primeiro tratamento da leucemia infantil, logo após o diagnóstico, e não apenas nos casos de recidiva, como ocorre atualmente. Isso reduziria a chance de recaída, aumentaria as chances de cura e diminuiria os efeitos colaterais de longo prazo.
O Ministério da Saúde afirma que ainda não há demanda em análise na Conitec para ampliar o uso do medicamento.
Fonte: Saúde Brasil


