Marco Rubio e a influência na disputa entre EUA e Brasil
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tem sido uma figura central na escalada de tensão entre o governo de Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula destacou a influência de Rubio, reclamando que o secretário “faz as coisas diferente daquilo que a gente conversa com Trump”.
Crítico de Lula e de outros governos de esquerda da América Latina, Rubio defende uma postura mais dura dos EUA na região. O professor de relações internacionais Maurício Fronzaglia avalia que essa atuação pode ser entendida como uma versão repaginada da Doutrina Monroe, chamada de Doutrina Donroe.
A disputa por influência na América Latina
A disputa por influência na América Latina também responde ao avanço econômico da China, que já superou os EUA como principal parceiro comercial de países como Brasil e Argentina. O Departamento de Estado, liderado por Rubio, exerce influência sobre outras pastas da gestão Trump para traçar medidas contra países “não alinhados”.
Um dos pontos citados pelo representante comercial americano, Jamieson Greer, para a imposição da sobretaxa foi a “censura ao discurso político” no Brasil, argumento utilizado por Rubio para criticar o país. Fronzaglia avalia que as tarifas usadas pelo setor de comércio internacional dos EUA podem apresentar uma razão técnica, mas ocorrem em um ambiente de hostilidade entre Washington e Brasília.
Rubio e a pressão sobre Lula
Rubio já sinalizava um olhar especial para o Brasil durante seu mandato como senador, criticando o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e dizendo que Lula era um “líder de extrema esquerda” que encobria “a natureza criminosa do narco-regime de [Nicolás] Maduro”.
Desde que assumiu o Departamento de Estado, a pressão sobre o governo petista foi acompanhada por ações do governo Trump, como a ofensiva econômica e diplomática sobre a ditadura cubana e a operação militar que capturou Maduro na Venezuela.
Consequências da disputa
A dúvida para Lula é qual pode ser a extensão dos danos provocados pelo atrito com os EUA. A especialista em finanças e tributação Adriana Melo disse que, no plano institucional, “o risco [para a relação com os EUA] não é só tarifa ou visto negado, é erosão de confiança em áreas que não se recuperam rápido: cooperação de segurança, combate a crime organizado transnacional, fluxo de investimento”.
Quanto à eleição presidencial de outubro, Melo afirmou que Lula pode se beneficiar com a retórica de “soberania” e “resistência a interferências estrangeiras”, mas o contexto “expõe fragilidade real de método”, com “prioridade ideológica sobre pragmatismo, personalização das relações, dificuldade de manter canal aberto com governos de outra orientação”.
Fonte: Gazeta Mundo


