Pesquisa Eleitoral
Eleições em São Paulo
Eleições no Paraná
Por Rose Amantéa
Por Rose Amantéa
10/08/2026 às 16:40
10/08/2026 às 16:40
Dê de presente
Prefira a Gazeta no Google
Ouça este conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu afastar o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, do comando do dia a dia de sua campanha à reeleição em 2026.
Responsável pelo marketing da vitória petista em 2022, Sidônio havia manifestado desejo de deixar a Secom para se dedicar integralmente à campanha eleitoral. Lula, porém, decidiu mantê-lo formalmente apenas no cargo de ministro.
A decisão ocorre em meio a uma reformulação na coordenação da campanha, agravada pela saída de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência.
Marcola deixou o núcleo do Planalto depois que veio a público que havia recebido recursos de Roberta Moreira Luchsinger, empresária e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O episódio ganhou peso político porque Roberta é alvo da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS (veja adiante).
VEJA TAMBÉM:
Mendonça manda governo Lula abrir dados de gastos com publicidade
Nos bastidores, houve disputa de estilos e comando
O afastamento representa uma perda de espaço político para Sidônio, que chegou ao governo com a missão de reformular a comunicação do terceiro mandato e se tornou um dos principais conselheiros de Lula.
Fontes ouvidas pela Gazeta do Povo confirmaram que o desgaste de Sidônio Palmeira vem se intensificando há alguns meses. A insatisfação não se restringe ao presidente Lula e também alcança assessores da campanha e integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT), preocupados com a concentração de poder acumulada pelo marqueteiro.
O episódio determinante foi um bate-boca entre Sidônio e Marcola diante de Lula. Na ocasião, o presidente criticava o tom considerado excessivamente “leve” de uma peça publicitária da Secom. Marcola endossou a cobrança de Lula, provocando um confronto com Sidônio que precisou da intervenção do próprio presidente. As informações foram apuradas pela Folha de S.Paulo.
Na prática, está em disputa a estratégia de comunicação que deverá prevalecer na campanha de 2026. O Planalto deseja explorar a comparação entre os governos do PT e de Jair Bolsonaro, o contraste entre as biografias de Lula e de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a defesa da soberania nacional.
Essa linha é defendida pelo grupo formado pela jornalista Nicole Briones, mulher de Marcola, e pelo fotógrafo Ricardo Stuckert. O grupo defende uma postura mais agressiva, com maior exploração de temas econômicos do cotidiano e confronto direto com os adversários. Os dois atuam na comunicação e na produção de conteúdo das redes pessoais de Lula e acompanham o presidente há anos.
Do outro lado está o grupo ligado a Sidônio. Seu sócio, Raul Rabelo, deverá assumir a coordenação de marketing da campanha ao lado de Chico Kertész e Tiago Cesar dos Santos, ex-número dois da Secom. A equipe defende uma comunicação mais propositiva, concentrada na apresentação de resultados do governo e em uma abordagem menos dependente do confronto direto com os adversários.
Para evitar novos conflitos, Lula estabeleceu uma regra de comando: não haverá “duplo comando” na campanha. Raul Rabelo deverá ter autonomia para tomar decisões no marketing eleitoral e não deverá recorrer a Sidônio para arbitrar questões da campanha.
A intenção é deixar claro quem terá autoridade sobre a estrutura eleitoral e evitar a sobreposição entre a Secom e o núcleo responsável pela campanha.
Sidônio tem histórico de atritos e desgastes no governo
A perda de espaço de Sidônio foi alimentada por episódios acumulados nos últimos meses. Em março, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), questionou a capacidade da Secom de fazer chegar à população as realizações do governo. Durante uma reunião ministerial, Costa afirmou que as entregas da gestão não estavam sendo conhecidas pelo público e direcionou a cobrança a Sidônio.
No mês seguinte, Lula cobrou Sidônio depois de receber relatórios sobre o desempenho das redes oficiais do governo. O presidente questionou a quantidade de imagens de animais, paisagens e conteúdos considerados leves publicados pelo perfil oficial @govbr e comparou a presença de sua imagem nas redes brasileiras com a exposição de Donald Trump nos canais oficiais da Casa Branca.
Sidônio argumentou que existem restrições legais ao uso da imagem presidencial em canais institucionais. A justificativa, porém, não encerrou a insatisfação de Lula.
Mais recentemente, Sidônio provocou desconforto na cúpula petista ao sugerir o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) como uma alternativa para o governo de Minas Gerais. Em um episódio anterior, havia apresentado a ideia de criação de uma estrutura de segurança pública ligada à Casa Civil depois da operação policial realizada no Rio de Janeiro em outubro de 2025, que terminou com 121 mortos.
A proposta foi interpretada como uma tentativa de ampliar a atuação da Casa Civil sobre uma área que estava sob responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública, então comandado por Ricardo Lewandowski.
Mudanças chegam em momento de desgaste na campanha
O objetivo do Planalto é estabelecer uma cadeia de comando mais clara e reduzir os conflitos entre a comunicação institucional do governo e o núcleo responsável pela eleição.
A estratégia deverá seguir a mesma linha defendida pelo grupo ligado a Briones e Stuckert: comparação entre os governos do PT e de Bolsonaro, contraste biográfico com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e defesa da soberania nacional.
A comunicação também deverá explorar temas econômicos do cotidiano, especialmente aqueles com impacto direto sobre a renda e o custo de vida dos eleitores.
A mudança ocorre em um momento em que o governo enfrenta dificuldades para transformar suas entregas em percepção positiva junto ao eleitorado e em que a campanha precisa responder a uma série de crises políticas envolvendo pessoas próximas ao presidente.
Relembre o caso Lulinha
O caso Marcola e as relações de Roberta Luchsinger com Lulinha acrescentaram uma nova camada de desgaste ao núcleo político de Lula. Embora as investigações ainda estejam em andamento e não haja conclusão da PF sobre eventual participação criminosa de Lulinha, o episódio aproximou as investigações sobre o escândalo do INSS do círculo familiar do presidente.
Lulinha ganhou dimensão institucional depois que a CPMI do INSS tentou quebrar seus sigilos bancário, fiscal e telemático. A medida foi suspensa pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que medidas dessa natureza precisam apresentar fundamentação individualizada.
A relação de Lulinha com Roberta Luchsinger passou a chamar atenção no contexto da Operação Sem Desconto. A empresária é investigada por suas relações com integrantes do esquema de fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS e confirmou à PF que conhecia Lulinha. Ela também admitiu ter sido responsável por apresentá-lo a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, mas negou ter feito pagamentos ao filho do presidente.
Posteriormente, a PF continuou aprofundando as investigações. Em julho, um relatório enviado ao STF indicou que a apuração sobre Lulinha segue separada de outros núcleos já concluídos do caso do INSS e busca esclarecer especificamente sua eventual relação com o grupo de Antunes.
A PF ainda não apresentou conclusão definitiva sobre essa frente de investigação. A existência da apuração, contudo, aumentou a sensibilidade política do caso para o Planalto, especialmente depois que Marcola, integrante da estrutura mais próxima de Lula, admitiu ter recebido recursos de Roberta Luchsinger.
Deixe sua opinião
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Principais Manchetes
Derrota de Moraes no STF abre caminho para reduzir penas do 8 de janeiro
Traição a Lula dispara e pautas do Planalto despencam 40% no Congresso
EUA aceitam discutir tarifaço com Brasil na OMC e China pede para entrar na ação
Fachin propõe código de ética sem punição e que exclui ministros do STF
Tudo sobre:
Eleições
Eleições 2026
Flávio Bolsonaro
INSS
Jair Bolsonaro
Lula
Rui Costa
Sidônio Palmeira
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Fonte: Gazeta Economia


