EconomiaJustiça concede blindagem às Casas Bahia contra credores por 180 dias

Justiça concede blindagem às Casas Bahia contra credores por 180 dias

Receba notícias por email

Banco Master

Banco Central

Por Guilherme Grandi

Por Guilherme Grandi

29/08/2026 às 12:08

29/08/2026 às 12:08

Dê de presente

Prefira a Gazeta no Google

Ouça este conteúdo

A Justiça de São Paulo concedeu às Casas Bahia, nesta sexta-feira (28), uma proteção de 180 dias contra ações e execuções de credores, em uma tentativa de evitar uma corrida contra o patrimônio da varejista enquanto o pedido de recuperação judicial é analisado. A decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais tem efeitos retroativos a 19 de agosto, quando uma liminar inicial foi concedida no processo.

A empresa entrou com o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, declarando dívidas de R$ 17,3 bilhões. O processo envolve dez empresas da holding, incluindo Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de companhias ligadas às áreas de logística e tecnologia.

“A Justiça de São Paulo acendeu um sinal amarelo e, ao mesmo tempo, deu um fôlego de sobrevivência para a empresa que tenta entrar em recuperação judicial”, afirmou o advogado Renato Scardoa, representante das Casas Bahia, em entrevista ao site Metrópoles.

VEJA TAMBÉM:

13 empresas brasileiras que derreteram na Bolsa nos últimos três anos

A medida concedida pela juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira é conhecida como “stay period” e impede, durante o prazo estabelecido, que determinados credores avancem individualmente contra os bens e recursos da companhia. Nos dias seguintes ao pedido de recuperação, os bloqueios judiciais contra o grupo já haviam alcançado aproximadamente R$ 9 milhões.

Na prática, a decisão também estabelece restrições para cobranças e medidas que poderiam comprometer a operação da varejista. A proteção temporária, diz o advogado, busca impedir que a empresa seja desestruturada antes de uma decisão definitiva sobre o processo.

“Credores e parceiros comerciais não podem antecipar cobranças nem segurar o dinheiro da empresa”, explicou Scardoa.

A proteção concedida pela Justiça, porém, não vale para todas as dívidas e processos. Ficam fora do “stay period”:

Execuções fiscais e créditos tributários;

Ações cujos valores ainda não foram definidos, como algumas indenizações;

Ações trabalhistas ainda em fase de conhecimento;

Obrigações classificadas como extraconcursais, que não estão submetidas à recuperação judicial.

A juíza também determinou que depósitos judiciais e recursais relacionados a créditos sujeitos à recuperação permaneçam sob custódia judicial. Com isso, outros juízos não poderão autorizar o levantamento desses valores por credores individuais, preservando o tratamento igualitário entre os credores.

A magistrada considerou necessária uma constatação prévia para avaliar a dimensão das operações e verificar a documentação apresentada pela companhia. O grupo possui mais de 765 lojas físicas no país, além de uma cadeia própria de negócios, o que levou a Justiça a considerar necessária a preservação temporária das atividades.

VEJA TAMBÉM:

Aneel mantém bandeira amarela e conta de luz terá cobrança extra em setembro

Mendonça leva julgamento sobre tributação da Vale no exterior para plenário físico

5 mentiras de Lula sobre a economia brasileira na entrevista ao Jornal Nacional

Outro ponto da decisão envolve o banco BTG Pactual, que deverá restabelecer, em até 24 horas, o acesso das Casas Bahia às contas e aos respectivos extratos. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 100 mil.

A proteção judicial também veio acompanhada de uma exigência: as Casas Bahia terão dez dias para corrigir falhas e apresentar documentos que ficaram pendentes no processo. “Mas essa proteção não veio de graça”, disse Scardoa, ao alertar que o descumprimento das exigências pode levar ao cancelamento da ação.

A Justiça ainda determinou a liberação de valores retidos por empresas responsáveis pelos pagamentos com cartão. Cielo, Getnet e Redecard terão 48 horas para liberar os recebíveis da varejista, medida que busca preservar o fluxo de caixa necessário para manter as operações durante a análise da recuperação judicial.

Deixe sua opinião

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Decisão no STF pode levar à exposição de dados de inocentes em investigações

Em quais pesquisas Flávio Bolsonaro está à frente de Lula

Maioria dos professores candidatos é de esquerda; veja a lista

“Quem deve explicações é o Lula”, diz Flávio sobre relação com dono do Banco Master

Tudo sobre:

Casas Bahia

Recuperação Judicial

Varejo

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Fonte: Gazeta Economia

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
nuvens quebradas
21 ° C
21 °
21 °
88%
3.1m/s
75%
qui
32 °
sex
29 °
sáb
34 °
dom
30 °
seg
30 °