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Por Guilherme Grandi
Por Guilherme Grandi
20/08/2026 às 15:05
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A intenção de investimento da indústria caiu pelo terceiro mês consecutivo em agosto e atingiu o pior nível de 2026, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta quinta-feira (20). O indicador recuou 0,6 ponto, de 53,2 para 52,6 pontos, em um cenário marcado por juros elevados, custos maiores e forte entrada de produtos importados.
A piora também atingiu as expectativas para os próximos seis meses, principalmente em relação às exportações e ao emprego. O índice de expectativa de quantidade exportada caiu 1,5 ponto, para 49,5, enquanto o de número de empregados recuou 0,7 ponto, para 49,4, ficando ambos abaixo da linha de 50 pontos, que indica expectativa de queda.
“A queda da intenção de investimento da indústria resulta da continuidade do ambiente macroeconômico desfavorável para o setor. Isso se deve, principalmente, a três motivos: o patamar elevado dos juros; o aumento dos custos de produção e a forte entrada de produtos importados”, explica Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI.
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A taxa básica de juros – a Selic – está em 14% ao ano sob fortes críticas do setor industrial por encarecer o crédito para empresas e consumidores e reduzir o estímulo a novos investimentos. Ao mesmo tempo, o comércio brasileiro enfrenta uma concorrência maior com produtos importados principalmente após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter retomado a isenção da “taxa das blusinhas” – o imposto de importação para compras até US$ 50 – de olho nas eleições.
O levantamento da CNI aponta também que as perspectivas para compra de insumos e matérias-primas e para a demanda dos consumidores também perderam força. O primeiro indicador caiu 1,2 ponto, para 51,2, enquanto o segundo recuou 0,7 ponto, para 52,6, permanecendo acima de 50 pontos, mas com menor otimismo em relação a julho.
Apesar do cenário de cautela, a produção industrial apresentou melhora em julho. O índice de evolução da produção subiu 2,6 pontos, alcançou 51 pontos e voltou a indicar crescimento, algo que havia ocorrido apenas uma vez no ano, em março.
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O mercado de trabalho, porém, continuou mostrando retração, ainda que tenha apresentado pequena melhora. O índice de evolução do número de empregados avançou 0,4 ponto, para 48,6 pontos, permanecendo abaixo dos 50 pontos e indicando redução dos postos de trabalho em relação a junho.
A Utilização da Capacidade Instalada permaneceu em 70%, um ponto percentual abaixo do registrado em julho de 2024 e de 2025. Já os estoques voltaram a crescer após oito meses de queda: o índice avançou 1,7 ponto, para 51 pontos, mas permaneceu alinhado ao planejamento das empresas, com o indicador de estoque efetivo sobre o planejado em 50,2 pontos.
A Sondagem Industrial ouviu 1.407 empresas entre 3 e 12 de agosto, sendo 578 pequenas, 489 médias e 340 grandes.
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Fonte: Gazeta Economia


