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Indústria alerta para risco de perder 109 mil empregos com fim da “taxa das blusinhas”

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Por Guilherme Grandi

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27/08/2026 às 08:30

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou, nesta quarta-feira (26), que o fim da chamada “taxa das blusinhas” pode colocar em risco 109 mil empregos e reduzir em cerca de R$ 21,8 bilhões a produção doméstica em 2026. A entidade afirma que a retirada do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 deve estimular as encomendas estrangeiras e ampliar a pressão sobre a indústria brasileira.

A cobrança de 20% está suspensa desde maio após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar uma medida provisória editada com vistas à eleição que prevê o fim definitivo da tributação. Se a medida não for votada até 8 de setembro, perderá a validade, fazendo a cobrança voltar a menos de um mês do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

“Com o imposto em vigor, o consumo que hoje vai para compras internacionais por meio do Programa Remessa Conforme seria direcionado a produtos e serviços produzidos no Brasil. O imposto funcionava como uma redução parcial da assimetria tributária entre a produção doméstica e os similares importados”, aponta o economista Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.

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Uma comissão mista para analisar a proposta deve ser instalada na próxima terça-feira (1º), após um acordo entre Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Motta indicou o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para presidir o colegiado responsável pela discussão da medida.

A CNI projeta que 249,5 milhões de pequenas encomendas entrarão no Brasil pelo Programa Remessa Conforme em 2026, alta de 56,3% sobre 2025. Com o imposto mantido, a estimativa seria de 194,9 milhões de remessas, o que significa que o fim da cobrança pode elevar o volume em 28%.

Em dinheiro, as importações de pequeno valor devem alcançar R$ 23,6 bilhões neste ano, segundo a projeção da entidade, contra R$ 16,6 bilhões caso a tributação continuasse em vigor. A diferença representa um aumento de 42,3% no valor das compras internacionais.

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A indústria de transformação aparece como o setor mais exposto ao avanço das importações, especialmente em segmentos como eletrônicos, vestuário e outros bens de consumo. A CNI calcula que, para cada R$ 1 importado pelo Remessa Conforme, deixam de ser gerados R$ 3,11 ao longo das cadeias produtivas brasileiras.

“Zerar o imposto sobre produtos de até US$ 50 estabelece um tratamento tributário diferenciado para as importações”, disse o economista defendendo a retomada da cobrança como medida para recuperar a competitividade da indústria brasileira.

Além da CNI, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entre outras entidades, têm se manifestado contra a isenção total da “taxa das blusinhas”. Recentemente, representantes procuraram Alcolumbre para pedir que a discussão não avançasse durante o período eleitoral.

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Fonte: Gazeta Economia

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