Receba notícias por email
América Latina
Guerra EUA x Irã
Por John Lucas
Por John Lucas
21/08/2026 às 00:16
21/08/2026 às 00:16
Dê de presente
Prefira a Gazeta no Google
Ouça este conteúdo
A organização Human Rights Watch (HRW) acusou nesta quinta-feira (20) forças da chamada “Africa Corps”, grupo paramilitar que é, segundo a organização, controlado pelo regime da Rússia, de executar nove civis, entre eles quatro crianças, durante uma operação realizada no início de julho em uma vila no centro do Mali, país da África Ocidental.
Segundo a entidade, o ataque ocorreu em 10 de julho, na vila de Bombori, na região de Mopti e contou com a participação de mais de 100 integrantes da Africa Corps. A HRW afirma que os combatentes invadiram casas em uma área habitada pela comunidade fulani, retiraram moradores à força e reuniram ao menos 80 homens e meninos sob uma árvore. De acordo com testemunhas ouvidas pela organização, os detidos foram espancados e interrogados sobre possíveis ligações com grupos terroristas. Os Africa Corps teriam contado com o apoio dos soldados do Exército do Mali nessa ação.
Durante a operação, seis civis teriam sido mortos a tiros enquanto tentavam fugir. Outros três homens foram levados pelos combatentes e encontrados mortos mais tarde. Segundo moradores entrevistados pela Human Rights Watch, um deles havia sido decapitado e os outros dois estavam com as mãos amarradas e ferimentos no pescoço.
Entre as nove vítimas estavam cinco homens, com idades entre 19 e 34 anos, e quatro crianças, de 6 a 17 anos. Testemunhas também relataram que duas das crianças foram encontradas mortas perto de casas incendiadas. A organização afirma que integrantes da Africa Corps saquearam dinheiro e joias e incendiaram ao menos oito casas de famílias fulani. Cinco depósitos de alimentos também teriam sido destruídos.
Bombori está sob controle do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos, conhecido pela sigla JNIM, organização extremista ligada ao grupo terrorista Al-Qaeda. Segundo moradores ouvidos pela HRW, porém, os membros deste grupo haviam deixado a vila durante a noite anterior à operação russa.
De acordo com os relatos reunidos pela entidade, os russos teriam liderado a operação, enquanto quatro militares do Mali atuavam principalmente como intérpretes. Uma das testemunhas disse que um dos homens que aparentava comandar a ação fazia perguntas aos moradores enquanto disparava para o alto.
A pesquisadora da Human Rights Watch para o Sahel, Ilaria Allegrozzi, afirmou que as autoridades do Mali precisam investigar os abusos e responsabilizar todos os envolvidos, inclusive militares do país. Segundo ela, o governo não pode se eximir de responsabilidade pelas ações cometidas por forças russas que atuam ao lado de seus soldados.
O Africa Corps assumiu parte das operações que anteriormente conduzidas pelo Grupo Wagner no Mali. O Wagner anunciou sua retirada do país em junho de 2025, depois de anos de cooperação com a junta militar. Segundo a Human Rights Watch, o Africa Corps é controlado pelo Kremlin e reúne inclusive ex-integrantes e membros da antiga liderança do grupo mercenário.
VEJA TAMBÉM:
Coreia do Norte lança mísseis no Mar do Japão após Trump chamar regime de inofensivo
Já estamos na Terceira Guerra Mundial?
Rússia atinge hospital infantil em nova onda de ataques contra a Ucrânia
Deixe sua opinião
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Principais Manchetes
Dino e Moraes querem criar classe de jornalistas permitidos e deslegitimar “blogueiros”
Nova punição a desembargadores da Lava Jato alimenta clima de intimidação
MPE faz defesa incontestável da eligibilidade de Deltan Dallagnol
A conta que espera o próximo presidente: dívida em alta, juros e pouco espaço para gastar
Tudo sobre:
África
Rússia
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Fonte: Gazeta Mundo


