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América Latina
Guerra EUA x Irã
Por John Lucas
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05/08/2026 às 16:19
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O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, vai deixar o país nos próximos dias, sem data definida para retornar à missão diplomática em Brasília, em meio ao agravamento da crise entre os governos do presidente argentino, Javier Milei, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A saída ocorre após o Brasil rebaixar oficialmente as relações diplomáticas com a Argentina, uma decisão que o Itamaraty atribuiu aos “ataques” de Milei contra Lula.
O chanceler argentino, Pablo Quirno, disse que o governo brasileiro comunicou oficialmente à embaixada da Argentina que a relação bilateral passaria a ser mantida no nível de encarregado de negócios e solicitou a retirada do embaixador argentino do país. A declaração foi dada durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (5).
De acordo com informações publicadas pelo jornal argentino Clarín, Raimondi retornará a Buenos Aires, inicialmente em período de férias, sem previsão para reassumir o posto em Brasília. Durante sua ausência, a representação diplomática argentina ficará sob responsabilidade de María Emilia Cortés, que atuará como encarregada de negócios no Brasil.
A decisão ocorre um dia após o governo brasileiro anunciar que o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, não voltará a Buenos Aires. O Itamaraty também reduziu a representação diplomática brasileira ao nível de encarregado de negócios, formalizando o rebaixamento das relações entre os dois países. Segundo o governo brasileiro, a medida foi tomada após as declarações consideradas “ofensivas” de Milei contra Lula.
Na entrevista desta quarta-feira, Quirno classificou como "lamentável" a decisão unilateral do Brasil, mas afirmou que a Argentina não pretende adotar medidas diplomáticas de retaliação. Segundo o chanceler, divergências políticas e ideológicas entre governos não deveriam comprometer as relações institucionais entre os países.
O ministro argentino também argumentou que, em ocasiões anteriores, Buenos Aires optou por não transformar diferenças políticas em incidentes diplomáticos. Como exemplo, citou a visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner durante o período eleitoral argentino e afirmou que o governo Milei não respondeu institucionalmente ao episódio.
A crise diplomática entre Brasil e Argentina se intensificou depois que Milei participou, em 25 de julho, de um evento em São Paulo para apoiar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de "ladrão" e "presidiário". Nos dias seguintes, ele repetiu as críticas em entrevistas e nas redes sociais, o que levou o Itamaraty a considerar inevitável o rebaixamento da relação diplomática.
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Fonte: Gazeta Mundo


