Dívida pública em alta
A dívida pública brasileira alcançou 77,2% do PIB em abril, superando a dívida do setor privado, que ficou em 75,7%, de acordo com estudo do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb), da Fipe.
Esse avanço indica o chamado “crowding out”, quando o governo absorve uma parcela maior dos recursos disponíveis e reduz o espaço para empresas e famílias obterem crédito.
Impacto na economia
Até o fim de 2025, as dívidas pública e privada avançavam no mesmo ritmo, acompanhando a expansão do crédito na economia. No entanto, em abril de 2026, o cenário mudou, e a dívida pública disparou para o atual patamar.
Como o governo é considerado um tomador de menor risco, consegue disputar recursos com o setor privado e influencia o custo do dinheiro. “O governo demanda mais recursos, e isso eleva o prêmio de risco e os juros para quem toma financiamento”, afirma Roberto Troster, coordenador do Cefeb.
Inadimplência empresarial
O aperto financeiro também aparece na inadimplência empresarial, com uma alta de 4,8% considerada o maior nível histórico e alcançando 6% entre micro e pequenas empresas. Nas grandes companhias, o índice ficou em 0,5%.
O número de empresas negativadas também subiu de 6,66 milhões em janeiro de 2024 para 8,96 milhões em abril de 2026, uma alta de 34,5%.
Reações do governo
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, reconheceu que os juros de longo prazo são influenciados pelas condições internacionais, pela política fiscal brasileira e pelo crescimento da oferta de títulos privados isentos de impostos.
Ceron defende mudanças para reduzir o prêmio de risco e controlar a expansão dos títulos incentivados, como debêntures, LCIs e LCAs.
Fonte: Gazeta Economia


