EconomiaCorrida para Doar Imóveis: Entenda por que os Brasileiros Estão Aproveitando 2026

Corrida para Doar Imóveis: Entenda por que os Brasileiros Estão Aproveitando 2026

Um Recorde de Doações de Imóveis

No primeiro semestre de 2026, um número recorde de 74.535 escrituras de doação de imóveis foi registrado no Brasil. Esse movimento sem precedentes é motivado pela expectativa de mudanças no Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), impulsionadas pela regulamentação da reforma tributária. Os doadores buscam organizar seu patrimônio e evitar alíquotas mais altas que devem entrar em vigor nos estados.

O que Muda com a Reforma Tributária?

A principal mudança é a obrigatoriedade da progressividade no ITCMD, significando que quanto maior o valor do bem herdado ou doado, maior será a porcentagem do imposto cobrado. Embora o teto nacional continue sendo de 8%, muitos estados que hoje trabalham com alíquotas fixas menores devem criar tabelas com degraus mais altos para patrimônios de grande valor. Além disso, o valor de mercado passará a ser a referência nacional para o cálculo, o que pode aumentar o imposto mesmo onde a alíquota não mude.

Quando as Novas Regras Começam a Valer?

As diretrizes nacionais já foram estabelecidas pela Lei Complementar 227/2026 no início deste ano, mas a aplicação prática depende de leis estaduais. A expectativa é que as assembleias legislativas aprovem as novas tabelas até o fim de 2026, para que as mudanças passem a valer a partir de 2027. Por isso, muitas famílias estão aproveitando os meses restantes de 2026 para concluir transferências sob as regras atuais.

Vale a Pena Antecipar a Doação do Imóvel?

Não necessariamente. A antecipação é vantajosa apenas se o valor do imóvel for alto o suficiente para cair em uma faixa de imposto mais cara no futuro. Para patrimônios menores, as novas regras podem até reduzir a alíquota ou oferecer isenção. É preciso considerar os custos, pois a doação exige o pagamento imediato do imposto e gera custos de cartório, além de transferir a propriedade definitiva para quem recebe o bem.

Garantindo o Direito de Uso após Doar o Imóvel

Uma estratégia comum utilizada pelas famílias é a doação com reserva de usufruto. Nesse modelo, o proprietário transfere a titularidade do imóvel para o herdeiro, mas garante juridicamente o direito de continuar morando no local ou recebendo os rendimentos de um eventual aluguel enquanto estiver vivo. Isso resolve a questão tributária antecipadamente e previne conflitos familiares futuros sem deixar o doador desamparado.

Fonte: Gazeta Economia

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