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Por Guilherme Grandi
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26/08/2026 às 11:25
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A confiança dos empresários do comércio brasileiro caiu ao menor patamar do ano em agosto, segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado nesta quarta-feira (26). Após ajuste sazonal, o indicador ficou em 101,3 pontos, uma queda de 0,6% em relação a julho, embora ainda permaneça na faixa considerada otimista.
O principal motivo da piora foi a avaliação das condições atuais, que recuou 2,5% no mês, enquanto a intenção de investir caiu 0,3%. Um dos principais motivos para a queda do otimismo é a taxa básica de juros, atualmente em 14% com uma expectativa de redução ainda bastante lenta.
“A cada mês, os números mostram o que também ouvimos em eventos por todo o Brasil: há expectativa e há força de vontade para trabalhar mais e melhor; porém, os custos elevados impedem que o empresário aumente os investimentos”, afirma José Roberto Tadros, presidente da CNC.
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Na contramão do resultado geral, o indicador de expectativa futura subiu 1,1% na avaliação da economia e 0,3% na perspectiva para o próprio setor, alcançando 128,2 pontos. Esse otimismo levou os comerciantes a projetar aumento de 0,6% nas contratações e de 0,1% nos estoques, enquanto a intenção de investir em outras estruturas das empresas caiu 1,8%.
Tadros também relaciona o cenário ao nível de inadimplência das empresas e aos efeitos da política de juros. Dados mais recentes da Serasa Experian apontam um endividamento recorde de 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho, com dívidas em atraso de R$ 232,9 bilhões.
“O patamar recorde de empresas inadimplentes, registrado pela pesquisa de junho do Serasa, é reflexo do aperto monetário causado pela alta taxa Selic, alvo de nossos alertas há meses”, afirma.
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Entre os segmentos do comércio, a percepção sobre as condições atuais caiu em todos os grupos, com maior impacto nos produtos de maior valor. As quedas foram de 0,4% em roupas, calçados, tecidos e acessórios; 3,5% em supermercados, farmácias e cosméticos; e 4,6% em eletrônicos, eletrodomésticos, móveis, decoração, cine/foto/som, materiais de construção e veículos.
Já o comércio de bens não duráveis apresentou sinais mais positivos para os próximos meses, com alta de 0,3% na expectativa futura, para 129 pontos, e avanço de 0,6% na disposição para investimentos, que chegou a 118,8 pontos. O resultado reforça a percepção de maior resistência do consumo de produtos de menor valor diante das dificuldades econômicas.
A CNC aponta ainda incertezas no médio prazo diante da conjuntura econômica e do cenário de volatilidade interna e externa, justamente quando o Brasil se aproxima da eleição presidencial de outubro com fortes dúvidas sobre as perspectivas dos candidatos para as finanças do país. Para a economista Catarina Carneiro, mesmo uma redução responsável da Selic leva tempo para chegar aos preços e aliviar o orçamento de empresas e consumidores.
“Só então, vencendo as instabilidades, teremos um arrefecimento nos níveis de comprometimento da renda tanto por parte dos empresários quanto dos consumidores”, completa Catarina.
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Fonte: Gazeta Economia


