Investigação do Ministério Público do Ceará
O Comando Vermelho (CV) cobrava até R$ 60 mil de políticos para permitir campanhas em bairros de Sobral, no Ceará, segundo investigação do Ministério Público do Ceará (MPCE).
A facção cobrava R$ 60 mil de políticos com mandato e R$ 30 mil de candidatos sem mandato. O grupo também ameaçava candidatos e tentava influenciar a escolha dos eleitores.
Operação Omertá
A investigação levou à Operação Omertá, deflagrada nesta terça-feira (11) pelo MPCE e pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).
As autoridades cumpriram 14 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. Três vereadores de Sobral estão entre os presos.
Detalhes da operação
Segundo o MPCE, a organização criminosa interferiu nas eleições municipais de 2024 e voltou a agir na disputa deste ano.
A facção cobrava o chamado “pedágio” para permitir que candidatos entrassem em comunidades sob seu controle durante a campanha. Também usava coação e ameaças para tentar direcionar o voto dos moradores.
Prisões e buscas
A Operação Omertá prendeu os vereadores Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União) e Juninho do Povo (Podemos).
A ação também alcançou um assessor jurídico da Câmara Municipal e integrantes da organização criminosa. Sete pessoas continuam foragidas.
A Justiça também determinou o afastamento, por 180 dias, de uma policial militar apontada como esposa de um integrante da facção e de outros agentes públicos.
As autoridades apreenderam celulares, dinheiro em espécie e documentos durante as buscas. A Polícia Federal vai analisar o material.
Investigação em andamento
O MPCE pediu ainda que a Câmara Municipal de Sobral entregue a relação de servidores ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratos temporários.
O Legislativo terá de informar as atribuições e a carga horária de cada funcionário e se realizou análise de antecedentes criminais antes ou depois das nomeações.
A apuração começou a partir da atuação da organização criminosa nas eleições de 2024 e avançou para a disputa de 2026.
Os investigadores suspeitam que a facção não apenas cobrava dinheiro dos candidatos, mas também estabelecia quem poderia fazer campanha em determinadas comunidades.
Os investigadores também apuram crimes de organização criminosa, domínio social estruturado, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e impedimento do exercício da propaganda eleitoral.
Fonte: Gazeta Política


