Aperto no crédito
Os principais bancos privados do país indicaram que devem apertar o cinto na concessão de crédito ao longo do restante do ano de 2026 diante do aumento da inadimplência, dos juros ainda elevados e do alto nível de endividamento das famílias.
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou que “o ciclo do crédito vai ser desafiador. Vivemos hoje um excesso de crédito dado pelo mercado”, e acrescentou que prefere abrir mão de crescimento e participação de mercado a enfrentar um aumento da inadimplência no futuro.
Reações dos bancos
No Bradesco, a estratégia segue a mesma linha de cautela diante do ambiente econômico. O presidente Marcelo Noronha declarou que “não estamos fazendo loucura. Estamos reduzindo o crédito pessoal e fazendo colateralizado”, indicando preferência por operações com garantias.
O Santander também atribuiu o aumento das provisões ao cenário macroeconômico, enquanto analistas apontaram que o banco apresentou o resultado mais pressionado entre os grandes privados devido às maiores despesas com proteção contra calotes.
Impacto na economia
O endividamento das famílias também alcançou novos recordes em 2026, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que chegou a 82% das famílias brasileiras com dívidas em julho.
Na prática, o crédito tende a ficar mais restrito para clientes considerados de maior risco, especialmente os de menor renda. As instituições passaram a priorizar modalidades com garantias, como crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, financiamentos imobiliários, crédito com garantia de veículos e operações apoiadas pelos fundos garantidores FGI e FGO para pequenas e médias empresas.
Fonte: Gazeta Economia


