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Por Guilherme Grandi
Por Guilherme Grandi
16/07/2026 às 11:48
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O comércio brasileiro praticamente ficou estagnado no mês de maio com um crescimento de apenas 0,1% na comparação com abril, de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (16). No mês anterior, o tombo do varejo foi de 1,6%, mostrando agora uma recuperação bastante lenta do consumo.
O principal motivo para o desempenho modesto foi a queda nas vendas de hiper e supermercados, maior segmento do varejo, que recuou 1,5% em relação a abril e 0,5% na comparação com maio do ano passado. Também pesaram negativamente as vendas de equipamentos de informática e comunicação, além de outros artigos de uso pessoal e doméstico.
Alguns setores conseguiram crescer, mas não tiveram força suficiente para impulsionar o comércio, como o segmento de livros, jornais, revistas e papelaria (15,2%), tecidos, vestuário e calçados (3,1%), móveis e eletrodomésticos (2,7%), artigos farmacêuticos (1,4%) e combustíveis e lubrificantes (1,1%).
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Na comparação com maio de 2025, o varejo registrou crescimento de apenas 0,4%, abaixo do avanço de 1% observado em abril. Mesmo assim, o setor ainda acumula alta de 1,7% em 2026 e de 1,4% nos últimos 12 meses.
O cenário foi ainda mais negativo no varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado de alimentos, bebidas e fumo. O indicador caiu 0,2% frente a abril e recuou 0,6% em relação a maio do ano passado, pressionado principalmente pela forte queda de 7,7% no atacado especializado de alimentos, bebidas e fumo e pelo recuo de 1,8% nas vendas de material de construção.
Entre os destaques positivos do mês, o setor de livros, jornais, revistas e papelaria registrou a maior expansão, com alta de 22,5% sobre maio de 2025. Já os segmentos de artigos farmacêuticos, combustíveis e móveis e eletrodomésticos também mantiveram desempenho positivo, enquanto as vendas de veículos cresceram 2,2% no varejo ampliado.
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Crescimento desigual pelo país
O desempenho regional também foi desigual e apenas 11 dos 26 estados e do Distrito Federal registraram crescimento nas vendas do varejo na comparação com abril, com destaque para o próprio DF (1,6%), Acre (1,5%), Alagoas (1,5%) e Paraíba (1,5%). Já Rondônia (-3,4%), Roraima (-3,4%), Amazonas (-2,8%) e Goiás (-2,8%)registraram as maiores quedas.
Na comparação com maio de 2025, o comércio varejista avançou em 12 estados, com os melhores resultados em Tocantins (12,3%), Pernambuco (7,4%) e Santa Catarina (7%). Já no varejo ampliado, 19 unidades da Federação apresentaram crescimento, mas São Paulo (-6,4%), Mato Grosso (-3,6%) e Amazonas (-3,2) figuraram entre os principais recuos, reforçando o cenário de recuperação lenta e desigual do comércio brasileiro.
O desempenho fraco do varejo em maio não é um fato isolado, mas o reflexo de um cenário econômico que vem reduzindo o ritmo do consumo das famílias ao longo dos últimos meses. Com juros ainda elevados, crédito mais caro, inflação pressionando itens essenciais e boa parte da renda comprometida com despesas fixas, o consumidor passou a priorizar gastos básicos e adiar compras de maior valor, afetando principalmente os segmentos mais dependentes de financiamento e do consumo discricionário.
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Fonte: Gazeta Economia


