Introdução
Ensaios clínicos recentes têm demonstrado que suplementos de ômega-3, encontrados em óleo de peixe, não oferecem benefícios significativos para a cognição ou a saúde do cérebro.
Benefícios do ômega-3
Os ácidos graxos ômega-3 são essenciais para a saúde do cérebro, pois são utilizados na construção de células cerebrais e na manutenção de membranas celulares flexíveis, permitindo que os neurônios criem novas conexões e se comuniquem com outras células.
Estudos têm mostrado que pessoas com níveis mais elevados de ômega-3 no sangue apresentam melhor cognição e cérebros mais saudáveis, além de um risco menor de desenvolver demência.
Hipóteses para a limitação dos suplementos
Cientistas têm três hipóteses principais para explicar a limitação dos suplementos de ômega-3: a maioria das pessoas já ingere quantidades suficientes de ômega-3, o que realmente importa é como o cérebro metaboliza o ômega-3 e é necessário consumir grandes quantidades de ômega-3 ao longo de décadas para obter benefícios.
Hipótese 1: Ingestão suficiente de ômega-3
O fígado consegue converter pequenas quantidades de ALA (Ácido Alfa-Linolênico) em EPA (Ácido Eicosapentaenoico) e DHA (Ácido Docosahexaenoico), os principais tipos de ômega-3 importantes para a saúde.
Richard Bazinet, professor de ciências nutricionais da Universidade de Toronto, acredita que as pessoas provavelmente obtêm ômega-3 suficiente por meio da alimentação, especialmente a partir do ALA, para repor a pequena quantidade de DHA que o cérebro consome.
Hipótese 2: Metabolismo do ômega-3
Hussein Yassine, professor de neurologia na Faculdade de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia, acredita que o fator mais importante é a maneira como o cérebro utiliza o ômega-3.
Existe uma molécula no cérebro responsável por decompor e eliminar o ômega-3, e Yassine descobriu que ela é mais ativa em indivíduos com risco genético de Alzheimer.
Hipótese 3: Consumo de ômega-3 ao longo de décadas
Gene Bowman, professor assistente de neurologia na Harvard Medical School, acredita que uma das razões pelas quais os ensaios clínicos tendem a fracassar é que eles testam os suplementos por apenas alguns anos, e esse pode não ser tempo suficiente para detectar alterações no cérebro.
Quando as pessoas apresentam níveis elevados de ômega-3 no sangue, geralmente é porque consumiram alimentos ricos nessa substância ao longo de décadas.
Conclusão
Independentemente do motivo pelo qual os suplementos de ômega-3 parecem não atingir as expectativas, as pesquisas atuais sugerem que é uma dieta equilibrada — e não uma pílula — que pode ajudar a manter o cérebro saudável.
As melhores evidências indicam que o consumo de alimentos com ômega-3 parece ser benéfico e está associado a melhores resultados para a saúde cerebral.
Fonte: Saúde Brasil


