Por Wesley Oliveira
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Por Fábio Pereira, especial para a Gazeta do Povo
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Brasília e Rio de Janeiro
Brasília e Rio de Janeiro
23/07/2026 às 21:00
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O PL e os apoiadores de Jair Bolsonaro estão cogitando uma moeda de troca de última hora para ter o apoio nacional do Republicanos à candidatura de Flávio: abrir mão de seu candidato ao governo do Rio de Janeiro e apoiar o ex-governador Anthony Garotinho, que já ocupou o cargo de 1999 a 2002. Sua candidatura pelo Republicanos foi lançada no dia 17 e deve ser oficializada no próximo sábado (25).
Os apoiadores de Bolsonaro planejavam reunir a maioria dos partidos de direita e do Centrão em torno da candidatura de Flávio (PL) à presidência da República, mas fatos recentes envolvendo o nome do filho mais velho do ex-presidente dificultaram as alianças.
Após a divulgação de sua parceria com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o patrocínio do filme Dark Horse e das acusações proferidas pela madrasta, Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro ainda está sem coligações na esfera nacional e tenta convencer União Brasil, Republicanos e PP a apoiá-lo.
O PP está cada vez mais distante, já que a federação União Progressista (PP-União Brasil) decidiu permanecer neutra na disputa presidencial. Diante disso, o Republicanos passou a ser o principal partido com o qual o PL tenta construir uma aliança nacional.
Sem conseguir avançar nas negociações com PP e União Brasil, a campanha de Flávio intensificou as conversas com a legenda comandada por Marcos Pereira e passou a concentrar esforços na superação dos impasses regionais.
As conversas entre as duas legendas chegaram a perder força nas últimas semanas após a divulgação de informações de que o Republicanos condicionaria o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à indicação do presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, para uma futura vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas tanto o partido quanto o coordenador da pré-campanha do PL, Rogério Marinho (PL-RN), negaram que esse tipo de acordo tenha sido discutido.
No Rio de Janeiro, uma das possibilidades é de que o PL deixe de lançar o atual deputado estadual Douglas Ruas ao governo do estado e apoie Garotinho. A negociação precisa ser rápida, porque a convenção para oficializar a candidatura de Ruas está prevista para esta sexta-feira (24).
Segundo apurou a Gazeta do Povo, além da adesão do PL à candidatura de Garotinho, estão na mesa de negociações a formação de uma chapa conjunta entre Ruas e Garotinho ou, na hipótese menos provável, a simples adesão do Republicanos à candidatura de Ruas, cancelando o plano de Garotinho.
Pesa contra Ruas o fato de ele ser desconhecido por parte dos eleitores – o plano de, como presidente da Assembleia Legislativa, assumir o governo do estado foi desmantelado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve no cargo de governador interino o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, desembargador Ricardo Couto.
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Aliança resolveria outro problema de Bolsonaro no Rio
Além de ajudar a candidatura de Flávio em âmbito nacional, a aliança entre o PL e o Republicanos no Rio de Janeiro resolveria uma questão que a família Bolsonaro enfrenta desde o final de maio, quando o ex-governador Cláudio Castro (PL) anunciou a desistência de concorrer ao Senado.
O outro pré-candidato ao Senado entre os aliados de Bolsonaro, Márcio Canella (União Brasil), foi preso em 7 de julho pelo porte ilegal de um fuzil e também não deve mais concorrer. Carlos Portinho (PL) foi escolhido para substituir Castro e concorrer à reeleição, mas a vaga de Canella segue aberta.
A princípio, cabe ao União Brasil escolher o substituto, mas, caso PL e Republicanos se aliem, a segunda candidatura seria do ex-prefeito Marcelo Crivella, que pretende disputar a vaga com ou sem aliança.
Garotinho já foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, governou o estado (e em seguida apoiou sua mulher, Rosinha, que se elegeu governadora em 2002) e disputou até a presidência da República.
Em 2018, ele foi declarado inelegível e não pôde disputar cargos públicos até 2024, quando conseguiu autorização da Justiça Eleitoral e concorreu a vereador no Rio de Janeiro. Na ocasião, obteve 8.753 votos e não conseguiu se eleger – o vereador eleito com menos votos recebeu 12.675. Depois foi novamente considerado inelegível até março deste ano, quando a Justiça voltou a permitir que ele dispute eleições.
Durante o período em que ficou longe das urnas, Garotinho esteve sob os holofotes em alguns momentos por meio do canal que mantém nas redes sociais, no qual faz denúncias e críticas a adversários. Em junho, um relato dele sobre uma festa supostamente promovida por Vorcaro só para homens, com mulheres nuas, foi usado por Michele Bolsonaro em uma postagem e causou grande repercussão. Ainda usufruindo dessa repercussão, ele se lança mais uma vez candidato a governador.
O desempenho de Garotinho na última eleição foi lembrado na segunda-feira pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que desdenhou da candidatura dele a governador e disse ainda acreditar numa composição entre PL e Republicanos: "Até dia 5 de agosto tem muito tempo", afirmou, referindo-se à data final para que os partidos definam seus candidatos à eleição de outubro. Ao menos publicamente, Costa Neto se diz esperançoso de que Garotinho desista e o Republicanos apoie Ruas, do PL.
Os números da mais recente pesquisa eleitoral para o governo do Rio, no entanto, indicam que Garotinho não é carta fora do baralho. O Instituto Gerp pesquisou dois cenários estimulados e um espontâneo e divulgou os resultados na terça-feira (22).
O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), principal adversário de Ruas e Garotinho, lidera. Num dos cenários estimulados, Paes tem 47% das intenções de voto, Garotinho soma 15% e Ruas, 11%. No outro, Paes soma 40%, Garotinho 10% e Ruas, 9%. Apesar do empate técnico no segundo lugar, já que a margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, numericamente Garotinho supera Ruas nos dois cenários. A situação só se inverte na pesquisa espontânea, em que Paes lidera com 22%, Ruas tem 6% e Garotinho, 4%.
O Instituto Gerp ouviu 1.000 eleitores de 13 a 15 de julho de 2026. A pesquisa foi registrada no TSE sob nº RJ-02209/2026 e o nível de confiança dela é de 95%.
Os próximos dias vão dizer se Garotinho e Ruas estarão unidos ou serão adversários na próxima eleição para governador do Rio. Mesmo se não houver aliança, Garotinho pode beneficiar Ruas, ao tirar votos de Paes e evitar que a disputa termine no primeiro turno, com vitória do adversário do grupo de Bolsonaro.
Impasses estaduais travam acordo nacional
Embora o Rio de Janeiro tenha se tornado um dos principais focos das negociações, ele não é o único entrave para um acordo nacional entre PL e Republicanos. As duas legendas também discutem a formação de palanques estaduais em outras unidades da federação, consideradas estratégicas para viabilizar uma aliança em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Um dos impasses está em Mato Grosso, onde o PL insiste na candidatura do senador Wellington Fagundes ao governo do estado, enquanto o Republicanos trabalha pela reeleição do vice-governador Otaviano Pivetta. As siglas também mantêm conversas sobre possíveis composições no Acre, em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Segundo o coordenador da pré-campanha do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN), o partido busca ampliar o leque de apoios enquanto negocia a solução dos palanques estaduais. "Buscamos ampliar o leque de apoio e resolver os palanques regionais que ainda remanescem", afirmou.
De acordo com Marinho, a legislação eleitoral permite que os partidos firmem composições diferentes nos estados, mesmo que a coligação nacional não seja reproduzida integralmente em todas as disputas regionais.
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Fonte: Gazeta Política


