Coordenador do programa de governo de Lula
Jose Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, foi escolhido por Lula para coordenar seu programa de governo na campanha à reeleição. Essa escolha sinaliza a manutenção de um viés desenvolvimentista, baseado em maior protagonismo do Estado na economia, em caso de vitória do petista nas urnas.
Gabrielli é um dos principais quadros históricos do PT baiano e acompanhou os principais ciclos do partido no poder. No primeiro governo Lula, presidiu a Petrobras durante o período de maior expansão da estatal.
Análise econômica
Economistas ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que a escolha por Gabrielli mostra que Lula pretende dobrar a aposta em uma estratégia econômica que classificam como ‘fracassada’ no Brasil e em outros países. ‘A visão de que gasto público gera crescimento não deu certo em nenhum lugar do mundo’, afirma Cleveland Prates, professor titular de Economia da FGV-SP.
Marcelo Farias, presidente do Instituto Liberal de São Paulo (ILISP), avalia que a defesa do Estado indutor do crescimento, baseado na expansão do gasto público, do crédito subsidiado e de programas governamentais, só gerou desequilíbrio fiscal, que tende a se aprofundar ainda mais até o fim do atual governo.
Estratégia econômica
Gabrielli defende ainda maior protagonismo do Estado no crescimento, política industrial e investimentos em setores estratégicos para o desenvolvimento nacional, com controle da política monetária. Para ele, o grande problema do país não seria fiscal. O equilíbrio das contas públicas, segundo entrevista concedida à Folha de S. Paulo, pode ser obtido por meio de ‘outros instrumentos’, disse, sem especificá-los.
A escolha de Gabrielli também remete à estratégia adotada durante o governo Dilma Rousseff (PT), conhecida como Nova Matriz Econômica – baseada na ampliação da presença estatal, expansão do crédito público e maior intervenção do governo na economia.
Repercussão
As declarações de Gabrielli provocaram reações no mercado financeiro. Ele defendeu mecanismos para reduzir a volatilidade cambial, incluindo a discussão sobre instrumentos de controle do fluxo de capitais, causando temor de maior intervenção na dinâmica do dólar.
O presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Lula, Edinho Silva, afirmou que as posições defendidas pelo ex-presidente da Petrobras representam apenas ‘contribuições ao debate interno’ e não refletem a posição oficial da campanha.
Fonte: Gazeta Economia


