Decisão do Ministro Flávio Dino
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que as comissões de Saúde da Câmara dos Deputados e do Senado apresentem, em até 30 dias, explicações sobre as medidas adotadas para garantir transparência na execução das emendas parlamentares.
Investigação e Contexto
A decisão foi tomada no âmbito da investigação que apura suspeitas de irregularidades na destinação desses recursos públicos. O ministro quer detalhes sobre como ocorre a distribuição das verbas e quais mecanismos permitem rastrear a aplicação do dinheiro desde a indicação até a execução.
Posição do Ministro
Flávio Dino reforçou que as emendas são uma prerrogativa de parlamentares em exercício de mandato, e não de “terceiros” como supostamente teria ocorrido recentemente segundo investigação da Polícia Federal. Ele destacou que as emendas devem ser vinculadas ao propósito exclusivo de os representantes poderem atender aos seus representados, e não para acordos ilícitos.
Desdobramentos e Reações
A afirmação atinge diretamente o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-deputado federal Eduardo Cunha, apontados pela Polícia Federal como supostos articuladores da destinação de emendas utilizando deputados com mandato ativo. Na semana passada, Dino determinou o bloqueio de R$ 119 milhões e de R$ 6 milhões dos dois políticos, respectivamente.
Reações Políticas
Os bloqueios geraram reação imediata no meio político, principalmente do atual presidente da Câmara, Hugo Motta, que classificou a decisão de Dino como uma “indevida intervenção judicial” no legislativo. No entanto, o ministro pontuou que o Judiciário tem feito nos últimos anos limita-se ao seu âmbito próprio de atuação, qual seja o zelo pela constitucionalidade e legalidade da tramitação das emendas parlamentares.
Proximos Passos
Além disso, Flávio Dino solicitou à Secretaria do Tesouro Nacional informações sobre a possibilidade técnica de padronizar os códigos contábeis utilizados na liberação das emendas, com o objetivo de facilitar o acompanhamento dos valores. Ele também reiterou a necessidade da apresentação de planos de trabalho para a execução dos orçamentos e determinou que a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos apresentem informações sobre o cumprimento de medidas tomadas anteriormente para o controle, execução e transparência no encaminhamento de emendas.
Fonte: Gazeta Economia


