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Por Guilherme Grandi
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02/07/2026 às 12:15
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O ministro Dario Durigan, da Fazenda, afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pode afetar diretamente os usuários do PIX. Segundo ele, eventuais sanções impostas por autoridades americanas podem levar bancos e fintechs a interromper operações no Brasil para evitar punições no mercado do país norte-americano.
Durigan explicou que a preocupação está no fato de o sistema financeiro ser integrado internacionalmente, o que pode fazer instituições financeiras alterarem suas operações mesmo sem determinação das autoridades brasileiras.
“Como o sistema financeiro é integrado, essa fintech, essa instituição financeira, esse banco no Brasil pode dizer: ‘Então eu vou não vou operar mais com PIX’”, afirmou em entrevista à TV Record.
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Dario Durigan ressaltou que uma situação como essa poderia atingir diretamente clientes dessas instituições, que ficariam impedidos de utilizar o principal meio de pagamento do país.
“E se o cidadão brasileiro tiver uma conta nesse banco [sancionado], tiver precisando movimentar, fazer um PIX, ele vai reclamar para quem? […] Isso me preocupa", declarou.
Nesta quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro do país norte-americano aplicou sanções contra dois indivíduos e, pelo menos, quatro empresas do Brasil e de Portugal por suspeita de ligação com o PCC em crimes como tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas em seu território.
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Na avaliação de Durigan, a classificação adotada pelos Estados Unidos utiliza um conceito de terrorismo que não reflete a realidade enfrentada pelo Brasil no combate ao crime organizado. Para ele, o problema brasileiro deve ser tratado pelas instituições nacionais, responsáveis pela investigação, fiscalização e repressão às organizações criminosas.
“Quem tem que cuidar de segurança pública no Brasil são os brasileiros. É a polícia brasileira, são os investigadores brasileiros, é o Coaf, a Receita Federal, são as nossas instituições que têm que vir. E defendo, com rigor, fazer o combate ao crime organizado”, afirmou o ministro.
Durigan também manifestou preocupação com possíveis impactos sobre a soberania brasileira, argumentando que o combate às facções deve permanecer sob responsabilidade das autoridades nacionais. Segundo ele, os Estados Unidos podem colaborar com informações de inteligência, mas não devem interferir diretamente nas ações conduzidas no Brasil.
“O que você tiver de informação que possa nos ajudar a fazer o combate ao crime, conte comigo. Se você sabe de uma organização, de uma empresa, de um banco, de uma fintech que está comprometida com o crime organizado, que está atrapalhando, nos informe”, disse o ministro lembrando do entendimento apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no encontro de maio.
Além dos possíveis reflexos sobre o sistema financeiro, Durigan afirmou que a classificação das facções como organizações terroristas pode gerar consequências econômicas para o país. Segundo ele, a medida pode criar uma percepção de risco sobre o Brasil, afastando investidores estrangeiros interessados em aplicar recursos em setores como infraestrutura e saneamento básico por receio de sanções ou de um ambiente considerado mais instável.
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Fonte: Gazeta Economia


