Declarações do Ministro
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Ministério da Fazenda é o ‘menos culpado’ pela manutenção da taxa de juros em patamar elevado no Brasil. Em entrevista, ele defendeu que o debate sobre os juros não pode ser reduzido apenas à situação das contas públicas.
Durigan prometeu que o governo fará um ajuste fiscal nos próximos anos para cumprir as metas estabelecidas. ‘Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros. Nós temos que discutir qual a razão da taxa de juros estar nesse patamar’, declarou.
Metas Fiscais
Segundo Durigan, o governo pretende combinar medidas de contenção de despesas com redução de benefícios fiscais para estabilizar a trajetória da dívida pública e cumprir as metas previstas para os próximos anos. O ministro afirmou que o governo pretende alcançar superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, elevando esse resultado para 1% em 2028, 1,25% em 2029 e 1,5% em 2030.
Política Tributária
Durigan defendeu mudanças na estrutura tributária brasileira, com aumento da tributação sobre a renda dos mais ricos e revisão de benefícios fiscais. ‘De fato, é um desafio do Brasil. A gente tem que tributar menos o consumo e mais a renda e o patrimônio’, afirmou.
O ministro também defendeu a redução dos chamados gastos tributários – benefícios fiscais concedidos a setores específicos da economia – estimados em mais de R$ 600 bilhões por ano.
Análise de Especialistas
Embora Durigan afirme que o debate fiscal não seja a principal explicação para os juros elevados, economistas e o próprio Banco Central apontam justamente a deterioração das contas públicas como um dos principais fatores que impedem uma redução mais rápida da Selic.
O Brasil registra déficits fiscais praticamente ininterruptos desde novembro de 2014, e a dívida bruta do governo avançou de forma significativa, aproximando-se de 80% do PIB.
Fonte: Gazeta Economia


