Artigo de Lula no Washington Post
O presidente Luís Inácio Lula da Silva publicou um artigo no Washington Post com críticas fortes a Donald Trump, pouco mais de um dia após o governo brasileiro negar os vistos de entrada de dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
No artigo, Lula não cita o caso dos vistos, mas foca a argumentação na recente imposição de novas tarifas comerciais e em divergências geopolíticas.
Tarifaço como “erro estratégico”
Lula disse que as ações norte-americanas colocam Brasil e Turquia entre os países mais tarifados pelos EUA, com exceção da China. Ele também destacou que isso gera distorções em cadeias globais de suprimentos integradas.
“Além de injustas, as novas tarifas representam um erro estratégico: prejudicarão a economia dos EUA e a parceria entre os Estados Unidos e o Brasil”, argumentou.
“Ninguém vai nos derrotar com mentiras”
Lula também relembrou a primeira imposição de tarifas, no ano passado, em 50%, e deu a entender que motivos de divergência político-ideológica provocaram o tarifaço.
Ele também fez uma provocação, destacada como título do artigo: “Ninguém vai nos derrotar com mentiras”. A frase foi uma cutucada a Marco Rubio, secretário de Estado de Trump.
Cooperação contra o crime organizado
Lula defendeu que o caminho para superar os problemas do continente americano passa pela união de forças em iniciativas concretas de investimento, comércio e combate ao crime organizado.
“Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é a guerra contra a fome, a pobreza e a desigualdade. E as únicas armas que devemos usar são o investimento, a transferência de tecnologia e o comércio justo e equilibrado”, escreveu.
Desfecho do artigo de Lula
O chefe do Executivo brasileiro também defendeu que a América Latina não necessita de demonstrações de força militar ou de medidas de cunho protecionista, mas sim de parceiros comerciais.
Embora evite debater diretamente a polêmica dos vistos e da suposta “missão eleitoral” detalhadas pelo próprio Washington Post dias antes, Lula encerra o artigo com tom que parece se conectar ao caso.
“Estamos prontos para continuar o diálogo aberto e construtivo, como exige a relação entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos. Mas o destino do Brasil cabe somente aos brasileiros determinarem — sem interferência estrangeira ou subserviência”, concluiu.
Fonte: Gazeta Política


