Contexto da discussão
O bispo Thomas Paprocki, de Illinois, defende que a Igreja Católica deve negar a comunhão a políticos que apoiam o aborto, com o objetivo de recuperar a coerência entre a fé e a vida pública.
Essa medida se baseia no Direito Canônico, que visa proteger a integridade do sacramento da Eucaristia.
Coerência eucarística
A coerência eucarística é a ideia de que a conduta de um católico deve estar em harmonia com o que ele professa acreditar.
Para o bispo, receber a comunhão e ao mesmo tempo apoiar práticas contrárias aos valores da Igreja, como o aborto e a eutanásia, é uma contradição moral.
Justificativa para a negação da comunhão
A base para a negação da comunhão é o Cânon 915 do Direito Canônico, que determina que pessoas que persistem em um pecado grave e público não devem ser admitidas à comunhão.
O bispo entende que o apoio político ao aborto se enquadra nessa situação de pecado manifesto.
Negação da comunhão como remédio medicinal
Segundo a visão de Paprocki, a negação da comunhão não é considerada uma punição, mas sim um ‘remédio medicinal’.
O objetivo não é castigar, mas sim causar um impacto que leve a pessoa ao arrependimento e à mudança de coração, permitindo que ela volte a seguir os ensinamentos da Igreja e, eventualmente, retorne ao sacramento.
Outros comportamentos que podem levar à restrição
Além do apoio ao aborto por autoridades públicas, o bispo mencionou que a negação da Eucaristia pode ser aplicada a casos de coabitação sem casamento, atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo e pessoas divorciadas que se casam novamente sem a anulação religiosa do vínculo anterior.
Origem do debate
A discussão ganhou força em 2021, durante o lançamento do Renascimento Eucarístico Nacional, uma iniciativa que surgiu após pesquisas mostrarem que a crença dos católicos na presença real de Cristo na hóstia estava diminuindo.
Isso gerou um debate intenso entre bispos que defendem o rigor doutrinário e outros que temem a politização da fé.
Fonte: Gazeta Mundo


