Por Isabella de Paula
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01/07/2026 às 12:17
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O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA anunciou nesta quarta-feira (1º) sanções contra dois cidadãos brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), considerada a maior organização criminosa da América Latina.
Essa foi a primeira decisão tomada por Washington desde a designação de grupos criminosos sediados no Brasil como terroristas.
No comunicado desta quarta-feira, a pasta do Tesouro afirmou que o PCC representa uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, já que seus agentes em todo o país, particularmente na Flórida, lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de criminalidade".
O grupo também estaria envolvido na expansão do tráfico de drogas no país, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas com o fim de gerar fluxos de receita.
De acordo com o governo de Donald Trump, a facção é atualmente a maior organização criminosa transnacional (OCT) do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão.
“Essa designação é mais um passo do governo dos EUA para abordar e reconhecer a crescente presença da geração de receita ilícita do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”, disse Gene Lange, subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira. “Não podemos permitir que o crime organizado no Hemisfério Ocidental estabeleça operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade”, acrescentou.
Desde a designação das facções brasileiras, em junho, os EUA já sinalizaram que não darão trégua à atividade do crime organizado originado do Brasil. O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) anunciou recentemente a prisão de um ex-chefe do PCC e do CV durante uma abordagem da polícia de imigração na Carolina do Norte.
EUA realizaram operação para desmantelar rede do PCC envolvida com lavagem de dinheiro
O governo Trump informou que desmantelou uma rede de lavagem de dinheiro do PCC que operava a partir da Flórida e de São Paulo.
Em janeiro, o FBI prendeu seis membros do grupo sediado na Flórida, que foram indiciados por lavagem de dinheiro no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul da Flórida.
A ação desta quarta-feira do Ofac tem como alvo o núcleo da rede sediado em São Paulo. Os indivíduos sancionadas são Victor Henrique de Oliveira Shimada (Shimada) e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira (Stella).
Segundo o comunicado, Shimada, residente em São Paulo, tem sido um "elo fundamental" entre os integrantes do PCC, com sede na Flórida, e traficantes de drogas estrangeiros. Sua rede de influência lavou mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos gerados em diversas cidades dos EUA e arredores, utilizando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome do PCC, segundo o Departamento do Tesouro.
Shimada também se envolveu em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico. A decisão menciona que em janeiro de 2025 ele ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil porque uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobrança e Tecnologia Ltda. (Victory Trading), foi usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.
Como resultado da operação, todos os bens e interesses em bens das pessoas designadas, que estejam nos EUA ou sob o controle de pessoas dos EUA, serão bloqueados e deverão ser comunicados ao Departamento do Tesouro americano.
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Fonte: Gazeta Mundo


