Um ato de desobediência
Nesta quarta-feira (1/07), a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) consagrou quatro bispos sem autorização do Vaticano em Écône, na Suíça. O ato de desobediência direta à autoridade do Papa Leão XIV gera uma crise histórica e pode levar à declaração formal de um novo cisma na Igreja Católica.
O que aconteceu na cerimônia em Écône?
A organização católica tradicionalista FSSPX realizou a ordenação de quatro novos bispos — Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier — sem o mandato pontifício, que é a autorização obrigatória do Papa. O evento ocorreu no mesmo local e data em que uma ruptura semelhante aconteceu há 38 anos, sob a liderança do fundador do grupo, Marcel Lefebvre.
Consequências imediatas
De acordo com o Direito Canônico, que é o conjunto de leis da Igreja, a consagração de bispos sem autorização papal resulta em excomunhão automática (latae sententiae) para os que realizam o rito e para os que são ordenados. Ao todo, seis bispos estão sujeitos a essa pena extrema, que os afasta oficialmente da comunhão com a Igreja Católica Romana.
Motivo alegado pela fraternidade
O superior geral da organização, padre Davide Pagliarani, justificou a decisão usando o argumento do “estado de necessidade”. Segundo o grupo, as autoridades atuais da Igreja estariam agindo contra a tradição cristã desde o Concílio Vaticano II. Eles alegam que as consagrações são um dever sagrado para garantir a preservação da fé católica tradicional e o atendimento espiritual de seus fiéis.
Relação entre o Vaticano e a FSSPX
A Santa Sé agora analisa uma declaração formal de cisma. Se isso ocorrer, os cerca de 600 mil membros da fraternidade ficarão ainda mais isolados, perdendo autorizações especiais que haviam sido concedidas anteriormente, como a faculdade de realizar confissões e casamentos válidos perante a Igreja Católica. O Papa Leão XIV, em seu segundo ano de mandato, enfrenta agora o desafio de lidar com essa fragmentação.
Fonte: Gazeta Mundo


