Por Isabella de Paula
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03/07/2026 às 14:53
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A líder chavista interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que está em negociações com o Departamento de Estado dos EUA e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para angariar recursos com o fim de "reconstruir" o país após os devastadores terremotos de 24 de junho.
Em coletiva de imprensa, a sucessora de Nicolás Maduro afirmou que seu governo também está em contato com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial, que "já ofereceram cooperação não reembolsável para apoiar o processo de recuperação", bem como "linhas de crédito" para a Venezuela.
Segundo a chavista, pelo menos 855 prédios foram afetados pelos terremotos, que deixaram pelo menos 2.595 mortos e 12.400 feridos.
Rodríguez observou que criou um fundo inicial equivalente a US$ 200 milhões e uma conta no CAF — Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe — para "doações internacionais" que serão usadas para habitação e estarão sujeitas a "mecanismos de auditoria completos".
Além disso, informou sobre a recente chegada de uma equipe "altamente especializada e profissional" de Israel para a recuperação da infraestrutura e para "avaliar a condição" dos prédios que não desabaram completamente, mas sofreram danos.
Os danos causados a residências e bens econômicos, como veículos, prédios e empresas, após os dois terremotos, têm uma estimativa preliminar de US$ 6,7 bilhões, segundo uma avaliação por satélite baseada na ferramenta RAPIDA (Análise Digital Rápida) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O regime venezuelano estima que aproximadamente 12.800 pessoas perderam suas casas, enquanto a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) documentou 16.000 cidadãos que tiveram que encontrar moradia alternativa.
O Ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, visitou a Venezuela na última terça-feira para ampliar a cooperação humanitária e avaliar possíveis iniciativas relacionadas à reconstrução de infraestrutura e moradias.
Líder opositora avalia retorno à Venezuela em meio à crise
Enquanto o regime tenta gerenciar a atual crise provocada pelo desastre natural, a líder opositora venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, disse nesta sexta-feira (3) que não solicitou proteção para retornar à Venezuela.
"Nem eu, nem nossas equipes, necessitamos ou solicitamos qualquer tipo de proteção, nem que se destine nenhum tipo de recurso para nossa segurança", declarou Machado em um encontro virtual com a imprensa.
"Todo mundo me pergunta: 'Quem vai cuidar de você?' Bem, milhões de venezuelanos", acrescentou.
Após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 do último dia 24, Machado anunciou que retornaria ao país e, posteriormente, denunciou que o regime interino de Delcy Rodríguez fechou o espaço aéreo para impedir seu retorno.
Segundo o jornal americano The Wall Street Journal, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, teria pressionado Machado e barrado sua viagem de volta à Venezuela por temor de uma crise política após os tremores que atingiram o país.
Machado disse nesta sexta-feira que os terremotos, que deixaram milhares de mortos, evidenciaram que a Venezuela é um "Estado falido".
"Esta semana evidenciou isso: a ausência total de capacidades estatais (…). O país precisa de certezas", disse.
A opositora insistiu que retornará à Venezuela e ressaltou que busca contribuir com a emergência. Também aproveitou para manifestar que está "profundamente agradecida" aos EUA e a outros países que destinaram recursos para ajudar o país.
Machado deixou a Venezuela em dezembro do ano passado para receber na Noruega a medalha do Prêmio Nobel da Paz, após passar cerca de um ano na clandestinidade para evitar ser detida.
As autoridades venezuelanas a acusam de supostos crimes relacionados a terrorismo, conspiração e traição à pátria, acusações que a dirigente opositora rejeita.
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Fonte: Gazeta Mundo


