Estudo feito a pedido da Folha
Um estudo feito a pedido da Folha avaliou amostras de canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai e vendidas como versões de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. A análise, realizada por pesquisadores da Unicamp, verificou a presença, concentração e estrutura molecular do princípio ativo das amostras dos medicamentos Tirzedral, TG, Lipoless, Tirzec e Gluconex.
Análise laboratorial
A análise laboratorial foi feita utilizando três técnicas complementares: cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC-DAD), espectrometria de massas de alta resolução (LC-HRMS) e dicroísmo circular (DC). Os resultados mostraram que todas as amostras analisadas continham princípio ativo equivalente à tirzepatida e apresentavam identidade molecular compatível com a encontrada no Mounjaro.
Concentração e pureza
No entanto, a análise não avaliou a presença de impurezas e contaminantes, nem a eficácia e segurança dos medicamentos. Além disso, a concentração de tirzepatida nas amostras paraguaias variou, com a Gluconex apresentando uma concentração 60% maior do que a informada pelo fabricante.
Posição da Anvisa e da Eli Lilly
A Anvisa afirma que a análise laboratorial independente não substitui o processo completo de avaliação regulatória, que inclui a verificação de conformidade regulatória e documental, além da avaliação de qualidade farmacêutica, segurança, eficácia e equivalência terapêutica. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, diz que encontrar o mesmo princípio ativo nos produtos paraguaios não prova que sejam seguros, eficazes ou equivalentes ao Mounjaro.
Riscos associados ao uso de canetas paraguaias
Os especialistas alertam para os riscos associados ao uso de canetas emagrecedoras paraguaias, incluindo a falta de garantia sobre a pureza e estabilidade do medicamento, o risco de erros de dosagem e a possibilidade de complicações, como náusea, vômito, diarreia, desidratação, hipoglicemia e pancreatite.
Fonte: Saúde Brasil


