Por John Lucas
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02/07/2026 às 18:43
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Moradores acusaram, em vídeos publicados nas redes sociais, agentes do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), do regime chavista, de estarem roubando dinheiro encontrado entre os escombros de prédios destruídos pelos terremotos que atingiram o norte da Venezuela na semana passada.
Segundo o jornal espanhol El Debate, quatro agentes foram presos na terça-feira (30) acusados de se apropriar de “bens econômicos” em áreas atingidas no estado de La Guaira, no norte do país, próximo a Caracas. A região foi uma das mais afetadas pelos dois fortes terremotos registrados na última quarta-feira (24).
Os agentes também foram expulsos do CICPC e serão apresentados à Justiça, de acordo com um comunicado oficial citado pela publicação. O CICPC é uma das principais forças de investigação criminal da Venezuela.
Conforme o diretor do CICPC, Douglas Rico, os agentes “se desviaram de seus deveres” e se aproveitaram das ações de resgate e assistência humanitária para se apropriar de valores encontrados entre os escombros.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram moradores indignados confrontando um agente do CICPC. Nas imagens, cidadãos aparecem rasgando dólares em espécie que estariam com o funcionário, enquanto gritam “vergonha”.
O caso provocou reação do ministro do Interior, Diosdado Cabello, o número dois do chavismo, que afirmou em seu canal no Telegram que os agentes estavam cometendo atos “indecentes e imorais” e disse que eles serão julgados.
Cabello prometeu punição rigorosa a funcionários que usem o uniforme para “cometer abusos em meio à tragédia”.
“Seremos totalmente intolerantes contra aqueles que, fazendo uso de seu uniforme, cometam atos contra a moral, contra os bons costumes”, afirmou.
A oposição venezuelana criticou os agentes e disse que “funcionários do regime” estão se aproveitando da tragédia.
Os terremotos que atingiram a Venezuela na última semana, de magnitudes 7,2 e 7,5, já deixaram ao menos 2.295 mortos e 11.267 feridos, de acordo com o presidente do Parlamento, o chavista Jorge Rodríguez.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada à ONU, informou que até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos, conforme declaração da porta-voz Zoe Brennan citada pela agência EFE.
As autoridades venezuelanas também contabilizam mais de 780 réplicas desde os dois tremores principais. De acordo com a Fundação Venezuelana de Pesquisas Sismológicas (Funvisis), novos abalos continuaram sendo registrados nesta semana, incluindo um terremoto de magnitude 3,6 a cerca de 50 quilômetros da costa do estado de Miranda.
A Venezuela já recebeu 707.063 toneladas de ajuda humanitária desde o início da emergência. A assistência chegou de diferentes países, incluindo El Salvador, México, República Dominicana, Suíça, Equador, Espanha, Chile, Colômbia, Países Baixos, Itália e Estados Unidos, conforme informou a líder chavista Delcy Rodríguez.
De acordo com uma avaliação preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), baseada em análise digital rápida por satélite, as perdas em moradias, veículos, comércios e outras estruturas chegam a US$ 6,7 bilhões.
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Fonte: Gazeta Mundo


