Estudo brasileiro aponta insuficiência no treinamento de médicos
Um estudo brasileiro publicado recentemente na Revista Bioética revela que 90% dos médicos recém-formados não se sentem capacitados para dar más notícias às famílias dos pacientes, considerando o treinamento recebido na graduação como insuficiente.
Resultados da pesquisa
A pesquisa, que ouviu 2.418 médicos, mostrou que cerca de 40% deles nunca receberam treinamento formal sobre o tema. Embora 61,2% tenham tido aulas na graduação, a maioria considera a formação insuficiente.
Segundo o autor do estudo, Daniel Alveno, fisioterapeuta do Hospital São Paulo da Unifesp, a pesquisa buscou avaliar como médicos recém-formados se sentiam logo após a graduação. Alveno destaca que a habilidade de comunicar más notícias é essencial, mas muitos médicos não recebem o treinamento necessário.
Necessidade de treinamento prático
O estudo também aponta para uma falta de conhecimento dos médicos sobre os protocolos de comunicação. A maioria dos participantes afirmou conhecer o protocolo Spikes, mas muitos desconhecem a existência de protocolos estruturados para essa tarefa.
O protocolo Spikes é um acrônimo em inglês que reúne seis etapas para estruturar a comunicação de más notícias: preparação, percepção, convite, conhecimento, emoções e estratégia e resumo.
Alveno afirma que o protocolo oferece um roteiro para que os profissionais não se percam durante a conversa e que exige preparo, treino e pensamento antecipado.
Consequências da falta de treinamento
A falta de treinamento pode levar a erros na comunicação, o que pode afetar a relação entre médicos e pacientes. Alveno destaca que a comunicação é importante para que os pacientes possam planejar sua vida e tomar decisões informadas sobre seu tratamento.
O estudo aponta para a necessidade de reformular os currículos médicos para incluir treinamentos estruturados que abordem os aspectos técnicos e emocionais da comunicação de notícias difíceis.
Fonte: Saúde Brasil


