O socialismo da geração Z
A revista britânica The Economist publicou um editorial e três reportagens sobre as características e os efeitos do que chama de “socialismo feito para o TikTok”. Segundo a publicação, trata-se de um fenômeno que assume formas distintas em cada país, mas que se sustenta nos discursos de políticos já conhecidos e tem a geração Z como principal protagonista.
Mais do que se preocupar com igualdade e bem-estar para todos, o movimento busca salvaguardar interesses próprios de seus apoiadores. De preferência, às custas da fortuna acumulada por bilionários ou de grandes empresas.
Características do socialismo da geração Z
A Economist identifica três características principais do socialismo da geração Z: a crença de que o crescimento econômico contribui pouco para melhorar a vida das pessoas comuns, com base em uma mentalidade de soma zero, na qual os melhores resultados não decorrem da produção, mas da apropriação de riqueza; a defesa de que benefícios e auxílios não devem ser financiados por toda a sociedade, mas apenas pelos mais ricos; e a hostilidade à iniciativa privada, ao livre mercado e à alocação de lucros, combinada com a defesa de intervenções estatais para regular preços e outros aspectos relevantes da vida econômica.
Soluções propostas
As soluções propostas, segundo a revista, seriam ingênuas e impraticáveis, mas simples e atraentes para a geração Z. Cortar contas, oferecer transporte público gratuito e proteger empregos estão entre as demandas que, não raro, encontram eco nas campanhas de políticos populistas que enxergam nessa retórica uma oportunidade de crescimento e apoio eleitoral.
A Economist cita o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e sua promessa de congelar aluguéis como exemplo desse fenômeno. A publicação também menciona o recém-eleito líder do Partido Democrata canadense, Avi Lewis, e o francês Jean-Luc Mélenchon, que, apesar da idade, mantém forte apelo entre os eleitores mais jovens.
Preocupações da geração Z
Os motivos da insatisfação são amplos e envolvem tributos, governos e IA. Segundo dados citados pela publicação, americanos, franceses e britânicos reclamam cada vez mais da elevada carga tributária, enquanto a aprovação dos gastos públicos diminui.
A tecnologia e a inteligência artificial também não escapam das críticas. Cresce a percepção de que os investimentos em data centers elevarão os custos de energia e água. Além disso, mais de 60% dos americanos, britânicos e canadenses afirmam que a inteligência artificial os deixa nervosos, ante uma média global de 50%.
Conclusão
A Economist, contudo, rejeita a ideia de que o liberalismo econômico esteja condenado ao fracasso político, mesmo em um contexto aparentemente favorável aos socialistas da geração Z. Segundo a revista, mal houve tentativas de apresentar uma defesa robusta das ideias que, em sua avaliação, contribuíram para gerar riqueza em escala sem precedentes.
“Muitos dos problemas que motivam os socialistas da geração Z, como os aluguéis altos, são resultado de mercados insuficientemente livres, e não excessivamente. Ainda há tempo para o liberalismo voltar a produzir resultados — e vencer o debate”, conclui a publicação.
Fonte: Gazeta Mundo


