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Eleições 2026
Alexandre Garcia
Por Guilherme Grandi
Por Guilherme Grandi
19/06/2026 às 10:08
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O avanço das investigações que atingem o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, abriu um racha interno no PT e aumentou a pressão pelo seu afastamento da função. Enquanto uma ala da legenda defende sua saída temporária para que concentre esforços na própria defesa, a cúpula petista e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantêm o apoio ao parlamentar.
Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, na véspera, que apura suspeitas de relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para defender seus interesses políticos no Congresso em troca de vantagens financeiras como repasses de recursos, viagens em aeronaves ligadas ao empresário e a negociação de um apartamento milionário em Salvador.
Um dos principais nomes do PT a se manifestar pela saída de Wagner da liderança foi o vice-líder do governo na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG). Para ele, o senador deve deixar temporariamente a liderança governista enquanto responde às investigações.
“Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua defesa, resguardada a presunção de inocência”, afirmou o parlamentar defendendo a saída do cargo para evitar desgastes adicionais para o governo.
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Nos bastidores, integrantes do PT compartilham a mesma avaliação e consideram que um afastamento temporário poderia reduzir o impacto político das investigações principalmente às vésperas do início da campanha eleitoral que Lula tentará a reeleição. Apesar disso, o grupo não tem conseguido avançar diante da resistência da direção nacional da legenda.
A principal linha de defesa do partido tem partido de seus dirigentes, como o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que declarou apoio ao senador e afirmou que ele continua contando com a confiança da sigla.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”, declarou Edinho.
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O próprio Wagner também demonstrou tranquilidade quanto à permanência no cargo. Segundo ele, uma conversa com Lula reforçou a avaliação de que não há intenção do Palácio do Planalto de substituí-lo na liderança do governo no Senado.
“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem falei hoje, acho sinceramente muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim. Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”, afirmou o senador.
De acordo com Wagner, Lula ainda teria lhe transmitido uma mensagem de apoio diante da crise, supostamente afirmando que “fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas, conte com a minha confiança”.
O senador também minimizou as manifestações de correligionários favoráveis ao seu afastamento e classificou as críticas internas como episódios de “fogo amigo”. Há a expectativa de que Wagner e Lula tenham um encontro presencial na próxima semana para tratar da situação e discutir os próximos passos.
Inicialmente, o encontro poderia ter ocorrido ainda na quinta-feira (18) ou mesmo nesta sexta (19), mas Lula retornou da viagem à Europa na véspera e cumpre agenda ao longo do dia em Minas Gerais, onde tenta fechar uma articulação para definir quem será seu candidato ao governo do estado.
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Fonte: Gazeta Política


