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Por Camila Abrão
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24/06/2026 às 23:00
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No centro do embate interno na família Bolsonaro, o pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, Ciro Gomes, tenta equilibrar a aliança regional com o PL com os ataques aos líderes nacionais do partido, entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para viabilizar sua candidatura e enfrentar o PT no estado, Ciro articulou uma aproximação com o diretório cearense do PL, presidido pelo deputado André Fernandes. Questionado sobre a mudança de postura em relação a um grupo que antes chamava de "ladrões", ele disse que “seus bolsonaristas são honrados”.
"Sabe qual é a diferença? Que os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos. Nenhum deles é picareta, nem está envolvido com a Polícia Federal", disparou o tucano no final de maio.
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Em entrevista à revista Veja, no último dia 19, Ciro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro são "rigorosamente iguais" e descartou qualquer possibilidade de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
"A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional", afirmou Ciro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro opõe-se frontalmente ao acordo, relembrando ofensas de Ciro que chamou Bolsonaro de "jumento" e seus enteados de "ovos de serpente". Já o senador e seus irmãos defendem a aliança.
Mais cedo, Michelle expôs a crise com Flávio e reforçou que considera o apoio a Ciro uma forma de "pragmatismo político oportunista". Para ela, é inadmissível apoiar o homem que “articulou” a inelegibilidade de seu marido.
Uma das ações que levaram à inelegibilidade do ex-presidente foi apresentada pelo PDT, então partido de Ciro. À Veja, o tucano classificou parte do entorno do ex-presidente como um "bando de imbecis, picaretas da rachadinha, ladrões, corruptos".
Além disso, ele afirmou que “sem dúvida” Bolsonaro tentou dar um golpe de Estado, mas criticou as penas das pessoas que participaram dos atos de 8 de janeiro de 2023.
Para Ciro, a prioridade no Ceará é a segurança pública e o combate ao crime organizado, pautas que, segundo ele, permitem a união com lideranças locais do PL, como André Fernandes e com o pré-candidato ao Senado Capitão Wagner (União).
Entenda o embate entre Michelle e Flávio no Ceará
Em dezembro do ano passado, o diretório do PL do Ceará, presidido por Fernandes, declarou apoio a uma eventual candidatura de Ciro Gomes. Michelle criticou a decisão durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo.
"Adoro o André [Fernandes], passei em todos os estados falando sobre o orgulho que tenho dele, do Nikolas [Ferreira], do Carmelo [Neto], da esposa dele que foi eleita, tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá!", disse a ex-primeira-dama na ocasião.
O impasse levou a uma crise interna na família Bolsonaro. Fernandes garantiu que a movimentação tinha o apoio do ex-presidente. Flávio apoiou o deputado e acusou a madrasta de atropelar a vontade de Bolsonaro.
Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o posicionamento da ex-primeira-dama foi “injusto e desrespeitoso” com Fernandes. Após uma reunião, o PL suspendeu a articulação com o PSDB temporariamente.
No início de maio, Michelle publicou no Instagram um vídeo de 2019 em que Ciro chama Bolsonaro de “jumento”, com a legenda: “E ainda há pessoas da direita apoiando esse indivíduo”.
Nesta segunda (22), ela criticou a entrevista de Ciro à revista Veja e compartilhou um vídeo de um apoiador que dizia que ela "tinha razão" ao se opor à aliança.
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Fonte: Gazeta Política


