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Por Guilherme Grandi
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Por Juliet Manfrin
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30/06/2026 às 09:00
30/06/2026 às 09:00
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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (30) a segunda fase da Operação Anáfora, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao suposto desvio de recursos públicos da saúde no Rio de Janeiro de mais de R$ 563 milhões. A ação tem como alvo pessoas ligadas ao ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro (PL), Washington Reis (MDB), que já havia sido alvo da primeira etapa da ação há quatro anos.
Ao todo, os agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias. Os nomes dos alvos desta fase não foram divulgados.
“A apuração dos atos de lavagem foi aprofundada após a deflagração da primeira fase da operação, no ano de 2022. Foi apurado que investigados mantinham bens próprios em nome de terceiros, realizavam despesas incompatíveis com a própria condição financeira e participavam de negociações vinculadas a imóveis”, afirmou a Polícia Federal em nota.
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Washington Reis foi anunciado como candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Castro em 2022, mas teve o registro de candidatura barrado pela Justiça Eleitoral. Com isso, foi substituído por Thiago Pampolha (MDB), que venceu a eleição ao lado do político fluminense, enquanto Reis posteriormente assumiu a Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade Urbana.
A primeira fase da Operação Anafóra foi deflagrada em setembro de 2022, quando a Polícia Federal cumpriu 27 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estavam Reis e o empresário Mário Peixoto, denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) após a Operação Favorito por suposto envolvimento em um esquema de corrupção investigado durante o governo de Wilson Witzel.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) apuram um suposto favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria de Saúde de Duque de Caxias. O contrato e seus aditivos ultrapassaram R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos.
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De acordo com a investigação, a cooperativa seria controlada por um grupo especializado no desvio de recursos públicos, principalmente na área da saúde.
“A cooperativa em questão pertence à estruturada e complexa organização criminosa que vem operando no Estado do Rio de Janeiro em um contexto de corrupção sistêmica, por meio de desvio de recursos públicos, em especial na área da saúde, há décadas”, afirmou a autoridade na época.
Escândalos envolvendo Castro
A nova fase da Operação Anáfora ocorre em um momento em que Cláudio Castro também é alvo de outras investigações conduzidas pela Polícia Federal. Nos últimos meses, duas apurações ganharam destaque por envolverem suspeitas de uso da estrutura do governo estadual para favorecer interesses privados.
Na Operação Sem Refino, a Polícia Federal apura se o governo fluminense teria atuado para beneficiar o grupo Refit, controlado pelo empresário Ricardo Magro, apontado pela Receita Federal como o maior devedor tributário do país. Segundo a investigação, órgãos do governo, incluindo a Secretaria Estadual de Fazenda, teriam sido mobilizados para atender interesses do conglomerado empresarial, hipótese negada por Castro.
Já na oitava fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal investiga a atuação de Cláudio Castro na viabilização de aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos da Rioprevidência em papéis de alto risco do Banco Master.
Conforme a decisão que autorizou a operação, a Polícia Federal aponta indícios de proximidade entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, e sustenta que o então governador teria exercido “papel politicamente relevante” para a realização dos aportes. A defesa do ex-governador nega qualquer irregularidade.
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Fonte: Gazeta Política


