Aproximação estratégica
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem atuado como um aliado estratégico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em temas sensíveis às vésperas das eleições. Motta tem servido de anteparo para propostas aprovadas pelo Senado com impacto nas contas públicas e é visto por governistas como peça-chave para barrar pautas de forte apelo popular que podem favorecer a oposição.
Relação com o governo
A aproximação ocorre em meio ao desgaste na relação do governo federal com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que hoje há maior capacidade de interlocução com Motta do que com a cúpula do Senado.
Pautas sensíveis
Entre as propostas que preocupam o governo está o projeto aprovado pelo Senado que permite a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas de produtores rurais. A medida pode ter impacto de R$ 140 bilhões em dez anos, segundo estimativas da equipe econômica.
Interesses mútuos
A reaproximação entre Motta e Lula é resultado de interesses mútuos e não representa uma aliança permanente. Para o Palácio do Planalto, a Câmara tornou-se a trincheira essencial para frear a agenda de pautas-bomba que ameaça o arcabouço fiscal. Para Motta, a interlocução direta com Lula garante protagonismo na condução de temas de alto impacto popular e fortalece sua liderança interna.
Eleições na Paraíba
A relação entre Motta e Lula também tem como pano de fundo as eleições na Paraíba, onde o pai de Motta, Nabor Wanderley, é pré-candidato ao Senado. A avaliação entre aliados de Motta é que o capital eleitoral do petista no Nordeste pode fortalecer o projeto político do grupo do presidente da Câmara no estado.
Fonte: Gazeta Política


