A Pirataria no Mercado Esportivo
A camisa falsa da seleção brasileira de futebol se tornou um símbolo de um mercado bilionário que envolve falsificação, contrabando e perda de arrecadação. De acordo com a Receita Federal, mais de 965 mil camisas com possível violação de direitos de propriedade intelectual foram apreendidas até maio, com um valor de mercado estimado em R$ 50 milhões e um impacto em tributos de R$ 39 milhões.
O Tamanho do Problema
Um estudo da Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (Ápice) revela que a pirataria já representa 34% do mercado esportivo brasileiro, com um prejuízo potencial de R$ 31,8 bilhões e R$ 7,4 bilhões em impostos não recolhidos. No recorte de camisas de futebol, foram 18,1 milhões de peças falsificadas consumidas no ano passado, representando 30% do mercado e um prejuízo potencial de R$ 3,6 bilhões.
O Preço como Motivação
O preço é um fator importante na decisão de compra de produtos esportivos piratas. De acordo com o estudo da Ápice, 69% dos consumidores apontaram o valor mais baixo como motivação para comprar produto esportivo pirata. O diretor-executivo da Ápice, Renato Jardim, associa parte disso ao chamado ‘custo Brasil’, que inclui impostos, burocracias e encargos que encarecem a produção e a venda formal no país.
A Cadeia por trás da Camisa Falsa
A pirataria está diretamente relacionada a organizações criminosas, e o ambulante que vende camisas falsas é apenas um pequeno ator nessa cadeia. O avanço do comércio digital ampliou o alcance desse mercado, com 41% das camisas de futebol falsificadas sendo vendidas por canais digitais em 2025. Jardim defende mudanças na legislação para ampliar a responsabilidade de plataformas digitais na identificação de anúncios ilegais e produtos falsificados.
Consequências para o Consumidor
Quem compra uma peça pirata paga menos, mas recebe um produto de qualidade inferior, com baixa durabilidade, sem garantia e sem canal formal para troca ou contestação. Além disso, o consumidor também está sujeito a riscos ligados ao uso de produtos químicos em etapas como acabamento, tingimento e estamparia.
Fonte: Gazeta Brasil


