Inflação em alta
O ministro Dario Durigan, da Fazenda, defendeu uma revisão no método de cálculo da inflação brasileira, afirmando que os índices atuais podem não refletir adequadamente os novos hábitos de consumo da população. A declaração ocorre em um momento em que o IPCA acumulado em 12 meses voltou a superar o teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Segundo Durigan, a metodologia utilizada hoje atribui peso excessivo a itens que perderam relevância ao longo do tempo e subestima despesas que passaram a fazer parte da rotina dos brasileiros.
Mudança no cálculo
“O nosso modelo, por exemplo, dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente, e coisas que hoje têm peso, assinatura de streaming, serviço de nuvem às vezes já pesam muito mais do que algo que estava na metodologia há décadas”, afirmou em entrevista ao podcast da Warren Investimentos publicado nesta segunda-feira (15).
A defesa pela mudança ocorre em meio à divulgação dos dados de maio da inflação, que ficou em 0,58%, abaixo dos 0,67% registrados em abril – mas, ainda assim o maior resultado para o mês em cinco anos. A pressão dos preços de alimentos e da energia elétrica contribuiu para o avanço do indicador e fez o IPCA acumular uma alta de 4,72% em 12 meses, superior ao teto de 4,5% da meta do Banco Central.
Posição do governo
Dario Durigan afirmou, ainda, ver com bons olhos um debate sobre possíveis aperfeiçoamentos nos indicadores de inflação e também na metodologia do boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com as expectativas do mercado financeiro – entre elas a previsão para a inflação do ano.
Apesar de defender mudanças nos critérios de medição da inflação, Durigan afirmou que não pretende alterar a meta atualmente fixada em 3%. Ele também avaliou que o sistema de meta contínua adotado pelo governo ainda não foi totalmente assimilado por parte da sociedade e dos especialistas.
Fonte: Gazeta Economia


