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Eleitor resiste à tese de Lula contra a classificação “terrorista” de CV e PCC

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Eleições 2026

Alexandre Garcia

Por Sílvio Ribas

Por Sílvio Ribas

Brasília

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10/06/2026 às 11:50

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A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não emplacou na população a imagem de ingerência estrangeira na decisão do governo americano de classificar as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.

Em vez de gerar uma reação nacionalista – de rejeição ao risco de suposta intervenção militar de Washington no país –, a medida seguiu respaldando o endosso do pré-candidato da direita a presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vê o apoio externo como estratégico ao resgate das áreas tomadas pelo crime.

Pesquisa da AtlasIntel divulgada na semana passada revelou que 53,1% dos brasileiros apoiam a decisão dos Estados Unidos de enquadrar PCC e CV como grupos terroristas internacionais. O levantamento apontou ainda que 55,9% defendem que o governo brasileiro também adote igual classificação.

A sondagem registrou 1.273 respondentes, por meio digital, entre 30 de maio e 3 de junho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Já uma pesquisa da Genial/Quaest apresentada nesta quarta-feira (10) diz que os brasileiros estão divididos: 45% apoiam a classificação americana e o mesmo percentual é contra. Por outro lado, 60% dos pesquisados acham que o Brasil tem que classificar as facções como terroristas e 29% são contra.

A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. Ela foi contratada pelo Banco Genial S.A, tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantament foi registrado no TSE sob o número BR-07661/2026.

Os resultados apurados sugerem que a tese do PT encontra forte resistência do público. Segundo a legenda, a medida da gestão Donald Trump, anunciada em 28 de maio e oficializada em 5 de junho, ameaça a soberania nacional.

Flávio Bolsonaro explorou intensamente o tema em discursos e entrevistas e afirmou que PCC e CV terão de “meter o pé (sair) do Brasil” ou enfrentar prisão a partir de 2027, caso ele seja eleito. Ele também associou o combate às facções à sua proximidade com a Casa Branca e à sua conversa com Trump. Segundo a pesquisa Quaest, 47% dos entrevistados acham que Flávio influenciou Trump na decisão sobre as facções criminosas, enquanto 37% disseram que ele não teve influência.

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Do lado governista, a aposta era que a vinculação da medida aos EUA desgastaria o adversário, sobretudo por envolver decisão externa sobre organizações criminosas em território brasileiro. A maioria da população entende a classificação como meio legítimo de combate ao crime, mas enxergam Lula como defensor da soberania nacional em relação à possibilidade de Trump elevar tarifas de importação de produtos brasileiros devido à práticas de comércio desleais e possível retaliação ao PIX.

A pesquisa da Quaest aponta que 64% dos brasileiros consideram que o governo age de forma correta ao defender a soberania frente às medidas e sanções impostas pelos EUA. Outros 26% desaprovam a postura, enquanto 10% não souberam ou não responderam.

O levantamente diz ainda que 47% dos pesquisados acham que Lula representa melhor o discurso de patriotismo e defesa dos interesses do Brasil, enquanto 37% atribuem esse mérito a Flávio.

A Quaest avaliou a percepção do público em meio às tensões nas relações entre Brasil e EUA. A estratégia de comunicação do governo federal vem se focando na defesa dos interesses nacionais, chegando a lançar campanha com o slogan "O Brasil é dos brasileiros".

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Os resultados das pesquisas reforçam a tendência apontada por analistas de que a segurança ocupará espaço crescente entre as preocupações do eleitor. Nesse quadro, classificar facções como terroristas permite à oposição conectar o discurso de endurecimento penal à percepção de insegurança em várias regiões do país.

O debate testa qual narrativa prevalecerá: a defesa da soberania enfatizada pelo governo ou a promessa da direita de combater o crime organizado de forma dura.

Levantamentos convergem para uma realidade incômoda para o governo

Uma pesquisa mais antiga do PoderData apontou que 53% dos brasileiros consideram positiva a decisão dos EUA de enquadrar PCC e CV, enquanto 33% a avaliam negativamente. O levantamento foi feito entre 30 de maio e 1º de junho, com 2,5 mil entrevistas telefônicas em 166 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A sondagem foi divulgada no último dia 3.

Para analistas, os números das pesquisas indicam que a preocupação com o avanço do crime organizado tem pesado mais na opinião pública do que eventuais resistências à influência dos Estados Unidos ou ao presidente Donald Trump, fortalecendo a pauta que passou a ser explorada intensamente pela campanha de Flávio Bolsonaro.

Para o especialista em políticas públicas e segurança pública Fidelis Fantin, a investida do governo contra a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas não conseguiu mudar a percepção geral porque o eleitor tende a reagir mal a qualquer sinal de proximidade entre agentes políticos e entes criminosos.

Na avaliação dele, a discussão acaba sendo vista menos sob a ótica diplomática e mais como questão de combate ao crime. “Assim, a resistência à denominação de organizações terroristas parece produzir mais foco de atrito entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, o que, em princípio, é prejudicial ao diálogo bilateral”.

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Para Eduardo Galvão, diretor da consultoria internacional Burson e professor de Relações Institucionais do Ibmec-DF, não há evidências de que a estratégia adotada pelo governo tenha conseguido alterar significativamente o tom do debate público. A discussão continua centrada na ideia de combate ao crime organizado.

Galvão ressalta que, do ponto de vista da comunicação política, o governo enfrenta desafio difícil. “Enquanto seus argumentos estavam voltados para riscos futuros, como sanções, pressões externas ou precedentes para a soberania, os defensores da classificação conseguiram associar a medida à resposta dura contra facções”.

Ele acrescenta que os efeitos econômicos e diplomáticos da decisão precisarão ser observados. Mas, no curto prazo, a disputa parece ter sido vencida por quem já definiu o significado da medida perante a opinião pública. “Nesse caso, a narrativa dominante foi a de combate ao crime, não a defesa da soberania”, afirma.

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Fonte: Gazeta Política

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