Por Fábio Galão
Por Fábio Galão
26/06/2026 às 10:01
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Autoridades do Irã fizeram nesta sexta-feira (26) ameaças ao Ocidente e a países vizinhos na região do Golfo Pérsico depois que o regime atacou um navio comercial na região do Estreito de Ormuz.
“A passagem segura pelo Estreito de Ormuz não pode ser garantida caso haja arranjos ambíguos, rotas paralelas ou tomadas de decisão que ignorem a posição do Irã como Estado costeiro”, escreveu no X Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã.
“Qualquer estrutura viável deve basear-se na coordenação com o Irã e nas disposições do parágrafo 5 do Memorando de Entendimento de Islamabad. Caso contrário, o resultado será a suspensão da rota paralela designada”, acrescentou.
A empresa taiwanesa Evergreen Marine informou que seu navio Ever Lovely, de bandeira de Singapura, foi atingido na quinta-feira (25) perto de Omã, enquanto navegava por uma rota recomendada pelo UKMTO, unidade de emergência para o transporte marítimo comercial coordenada pela Marinha britânica.
Duas autoridades dos EUA disseram à agência Reuters que o Irã havia disparado contra o navio. Ninguém ficou ferido e o navio retomou viagem posteriormente.
O Memorando de Islamabad, mencionado por Gharibabadi, foi assinado na semana passada por Estados Unidos e Irã e criou um cronograma para dar fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro.
O compromisso estabeleceu no artigo 5 que o regime islâmico dialogaria com Omã para “definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, em conjunto com outros Estados litorâneos do Golfo Pérsico, em conformidade com o direito internacional aplicável e os direitos soberanos dos Estados costeiros do Estreito de Ormuz”.
Nesta semana, Irã e Omã anunciaram a criação de um grupo de trabalho conjunto para abordar a “futura gestão da navegação” no Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos se opõem ao controle iraniano e à cobrança de pedágios na passagem, por onde cerca de 20% do petróleo mundial transitava antes da guerra e que foi bloqueada quase totalmente pelo regime até a assinatura do memorando.
Também no X, Ali Akbar Velayati, conselheiro para Assuntos Internacionais do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, mandou um recado para países vizinhos aliados dos Estados Unidos, ao alegar que “a estabilidade dos Estados árabes do Golfo Pérsico deve-se ao controle centenário do Irã sobre o Estreito de Ormuz”.
“O Ocidente não trouxe nada à região além de barbárie e pilhagem. Que os ‘vizinhos e atores políticos insignificantes’ da região não se iludam com declarações feitas sob medida; saibam que a existência de vocês é sustentada pelas migalhas que caem desta mesa”, escreveu Velayati.
“Na reconfiguração das grandes equações, pequenos atores periféricos não têm lugar à mesa; eles são eliminados, e seus ativos estratégicos devem sua existência ao limite de tolerância de Teerã”, ameaçou.
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Fonte: Gazeta Mundo


