Embargo da União Europeia
Representantes do agronegócio brasileiro atribuem o bloqueio da União Europeia (UE) à entrada de carne bovina e outros produtos de origem animal provenientes do Brasil a partir de setembro à falta de ação do governo Lula.
Na semana passada, o bloco econômico composto de 27 países oficializou a lista de países autorizados a exportar os itens para seu território, ratificando a exclusão do Brasil. Além da carne bovina, de aves, equídeos e pescados, o potencial embargo inclui subprodutos como tripas, ovos e mel.
Reações do setor agro
O Sistema da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) encaminhou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em que cobra “celeridade na condução das tratativas internacionais, visando à superação dos entraves existentes”.
Em nota, a entidade diz que “considera que o embargo decorre da morosidade por parte do governo federal na prestação de informações”.
Impacto no Paraná
O Paraná é o líder absoluto da avicultura brasileira, respondendo por mais de 34% de toda a produção nacional e cerca de 41% das exportações brasileiras de carne de frango. As exportações dos itens que podem ser proibidos na Europa pelo Paraná somaram US$ 235 milhões no ano passado, segundo a federação.
“É inadmissível que nossos mercados sejam ameaçados por falta de agilidade e articulação diplomática. O agro brasileiro precisa de uma ação imediata do governo federal para evitar a suspensão dos negócios e, consequentemente, problemas para os pecuaristas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Críticas ao governo
A falta de proatividade do Executivo para a resolução do problema também é apontada pelo ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado, como fator preponderante para a oficialização do embargo.
“Nós não respondemos às exigências sanitárias e hoje estamos bloqueados. Isso é uma desmoralização para o Brasil, pois todos os países da América Latina responderam a essas demandas, fizeram correções e estão liberados”, disse Caiado.
Regras sanitárias
Para além das questões burocráticas, Ieda Queiroz, coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, diz que o Brasil corre risco real de perder competitividade internacional caso não comprove, de forma prática e auditável, o cumprimento das regras sanitárias exigidas pelos mercados mais rigorosos.
“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, diz.
Diálogo com autoridades europeias
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmou que mantém diálogos com as autoridades europeias. A pasta, no entanto, informou que não divulgará detalhes das negociações em andamento para preservar a condução do processo.
“Há diálogos em curso com o lado europeu. Informa-se que este Ministério não se pronuncia sobre tratativas em andamento, com vistas a resguardar a boa condução do processo negociador”, afirmou a pasta.
Fonte: Gazeta Economia


