Introdução
No ano passado, o 4º Encontro de Tratores CBT reuniu milhares de pessoas no Esporte Clube Concórdia, em Toledo (PR), para celebrar máquinas agrícolas que deixaram de ser fabricadas há três décadas.
O fascínio pelos equipamentos é evidente na popularidade de vídeos de exibições de força na lama no TikTok e no YouTube, em um contexto em que tratores modernos operam de forma autônoma, guiados por satélite.
A Consolidação da Engenharia de Base da CBT
A trajetória da CBT funde-se com a própria expansão da fronteira agrícola nacional a partir da segunda metade do século XX. Fundada pelo empresário Mário Pereira Lopes, a empresa instalou seu complexo fabril nos municípios de Ibaté e São Carlos, no interior de São Paulo.
Nas décadas de 1970 e 1980, a fabricante reinou absoluta no mercado doméstico ao projetar soluções mecânicas focadas na resolução de gargalos operacionais específicos do produtor rural nacional.
Brutalidade Mecânica como Diferencial Competitivo
O símbolo máximo da filosofia industrial da empresa foi o modelo CBT 2105, lançado na configuração 4×2 em 1982. O equipamento abdicava de qualquer sofisticação eletrônica ou ergonomia na cabine em favor da durabilidade e da facilidade de manutenção.
Com até 110 cavalos de potência, o trator pesava 3,8 toneladas, podendo chegar a quase 5,3 toneladas quando lastreado. Essa densidade estrutural proporcionava o arrasto necessário para puxar grades aradoras pesadas em terrenos mais hostis.
Diversificação de Negócios e o Choque da Abertura de Mercado
O crescimento do negócio ao longo de mais de duas décadas levou a administração da empresa a buscar novos horizontes de atuação. A estratégia resultou em diversificação da alocação de capital e no desvio de foco de seu negócio principal.
A companhia apostou na criação de uma aeronave agrícola voltada à pulverização de defensivos, o CBT Tarpan, e de um veículo utilitário off-road, o jipe Javali, fabricado com motor a diesel próprio nas versões 4×2 e 4×4 entre 1989 e 1994.
O Colapso Jurídico e o Fim de um Ciclo Industrial
A paralisação da linha de produção marcou o início de um arrastado processo jurídico que escancarou a vulnerabilidade dos trabalhadores em um cenário de desindustrialização. Em novembro de 1995, a fornecedora Dani Condutores Elétricos Ltda. formalizou o pedido de falência da companhia na comarca de São Carlos (SP).
O decreto definitivo de falência foi assinado em 26 de março de 1997 pelo juiz da 1ª Vara Cível local, instituindo a massa falida que abrangeu todas as empresas do conglomerado produtivo.
O encerramento das operações resultou na demissão de 1.846 trabalhadores, que fundaram uma cooperativa para lutar pelo recebimento das verbas rescisórias atrasadas.
Fonte: Gazeta Economia


