Introdução
A Barion, uma fabricante de chocolates paranaense, é um exemplo de resiliência e adaptação em um ambiente hostil a negócios. Com quase 70 anos de atuação, a empresa passa atualmente pela transição para a terceira geração à frente da empresa, sob o comando de Rommel Barion.
A História da Barion
A empresa foi fundada em 1959 por Ricardo Barion, que deixou Marília (SP) para abrir uma pequena loja de doces em Curitiba. Rommel, o caçula, ingressou nesse ambiente ainda adolescente e começou a atuar no balcão, organizando mercadorias e acompanhando o funcionamento da empresa no dia a dia.
A formação prática veio antes da acadêmica, e esse olhar pragmático seria aprofundado anos depois, em um momento de inflexão pessoal. No fim da década de 1970, em meio à crise do petróleo e à deterioração econômica brasileira, Rommel cogitou deixar o país de forma definitiva.
Os Desafios da Indústria
A entrada da fabricante em regime de recuperação judicial, em março de 2025, revela mais do que o desequilíbrio financeiro de uma empresa. Trata-se de mais um desafio, agora prestes a ser superado, de um empresário que construiu e consolidou, ao longo de seis décadas, um empreendimento industrial de sucesso.
A leitura do próprio empresário sobre o ambiente de negócios ajuda a explicar esse momento. “As empresas do Brasil, hoje, têm um grande sócio e inimigo, que é o governo”, diz. A avaliação sintetiza uma experiência acumulada ao longo de décadas em que crescimento e sobrevivência nos negócios dependem menos de condições favoráveis e mais da capacidade de adaptação.
A Sucessão Familiar
Herdeiro da marca Barion, Rommel superou um dos maiores desafios de empresas familiares no Brasil. Embora esse modelo de negócio represente cerca de 65% do PIB nacional, sete a cada dez companhias não sobrevivem à transição para a segunda geração.
A consolidação da fabricante de chocolates ao longo das décadas levou o empresário à próxima etapa desse desafio: a sucessão para a terceira geração, na qual o índice de sobrevivência é de 10% a 12%.
Para garantir o sucesso da transição, Rommel estruturou o processo de forma deliberada, reunindo inicialmente oito membros da terceira geração, entre filhos e sobrinhos, e estabelecendo critérios claros para ingresso na empresa, como formação acadêmica, experiência externa e capacitação.
Fonte: Gazeta Economia


